Conheça três fragrâncias femininas consideradas obras de arte

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Frasco do perfume Angel de Thierry Mugler
    Criadora: Thierry Mugler Gênero: Feminino Avaliação:

Assim como uma mulher se refresca com uma borrifada de água de colônia, o perfume é uma arte que nunca se torna estática.

 

Angel, por exemplo, revolucionou a estética da perfumaria ao reinventar a escola gourmand. Thierry Mugler disse aos seus diretores de criação que queria um cheiro que o fizesse lembrar da doçura da juventude - chocolate, mel, pralinés? Mas o Shalimar já esteve lá antes: levou a escola gourmand para o ano de 1925 com a molécula etil vanilina (que cheira como se houvesse mais de mil milkshakes de baunilha na sua frente), mas foi o perfumista do Angel, Olivier Cresp, que o renovou. Ele criou um espetáculo sobre a corda bamba baseado no etil maltol, a molécula que dá o cheiro ao algodão doce. Para atenuar o odor desses átomos super doces, ele usou a molécula que cheira amêndoa, a cumarina, além de um patchouli natural que corta o doce do mesmo modo que o gelo numa dose de Grand Marnier. O resultado é brilhante. Angel é tecnicamente extraordinário: estável, difusivo, diferente. É também incrivelmente discordante. Mas a boa arte sempre é. Angel mudou o estado de arte, e, em cada molécula, ele é uma obra de arte.

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    Sweet Lime & Cedar, da Jo Malone: 4 estrelas

 

A primeira fragrância Jo Malone sob o amparo de Estée Lauder foi Blue Agava & Cação, um nome que tem muito a ver com Jo Malone mas que tinha cheiro de uma imitação pálida e fraca de um original suntuoso. Seu Sweet Lime & Cedar, por outro lado, captura novamente a essência da marca. A perfumista, Beverley Bayne, criou um odor fascinante que é um padrão virtual do que trouxe tanto sucesso a Jo Malone. Ele é leve e tem uma aura inglesa, uma membrana fresca que embrulha um âmago escuro - neste caso, uma veste de limão que cerca um miolo de cedro, cada elemento muito distinto um do outro, mas trabalhando em uníssono. O brilhantismo de Beverley Bayne foi deixar o cedro ficar levemente queimado e defumado, chamuscando o óleo essencial da casca do limão como se brasas pudessem dar água na boca. Jô Malone tem a ver com camadas, e Sweet Lime & Cedar, diferentemente do Angel, é sutil, não impetuoso; é adorável, não é belo. É Jo Malone, renascida.

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    Green, da Byredo Parfums: 4 estrelas

 

Byredo Parfums é uma nova coleção unissex originária de Estocolmo e que surgiu pelas mãos do jogador de basquete Ben Gorham (para sua informação, todas as fragrâncias sérias são unissex). O princípio maior de Byredo é a clareza absoluta. Tome Green, um perfume que é ao mesmo tempo abstrato e concreto. Como é possível? Bem, para se ter o cheiro de uma cor (o que é impossível), ele precisa ser abstrato. Mas nos perfumes, as cores são muito específicas. O verde, por exemplo, representa a primavera, as plantas, o crescimento. O perfume Green consegue ter êxito nos dois níveis. Ele tem o cheiro monocromático tanto quanto os fundos engenhosamente complexos e verdes das pinturas de Lucian Freud. Apesar de ser intenso e preciso, traz o hipnótico e quase alucinógeno cheiro da primavera. E, com ele, o cheiro da renovação.

Tradutor: Erika Brandão

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