C'est La Fête!, da Lacroix, lembra abacaxi em caldas, mas não é atraente

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Christian Lacroix Avaliação:

C'est La Fête!, que foi lançado em 2007, é uma criação da Inter-Parfums, uma das fábricas licenciadas de médio porte. Seus magníficos escritórios de Paris estão localizados na exclusiva rotatória da Champs-Elysées, no 8o. arrondissement. Mas a Inter-Parfums, que possui licença para produzir os produtos Lacroix e criar fragrâncias que levam o nome do estilista, está sofrendo as mesmas restrições, não tão magníficas assim, de outras licenciadas (como a de Lauder para LVMH). É preciso dinheiro para fazer um perfume, e como a maioria das coisas, quanto melhores as matérias-primas, mais elas custam. Há muitas maneiras de lidar com a questão. Uma delas é jogar todas as suas fichas na linha de frente.


C'est La Fête!, do perfumista Jean Jacques, é o melhor exemplo que cheirei em anos de um perfume que utilizou esta tática. A fragrância abre com abacaxi encharcado de sol, espumante, tão suculento que você olha ao redor, procurando o sorriso radiante de uma brasileira com seu pequeno biquíni. É um debute incandescente, um brilho de fruta doce que floresce na pele, tão agradável que, involuntariamente, você sorri de volta. Eu estava no terminal da Delta no aeroporto JFK, em uma loja duty free em frente ao portão 11 quando senti seu cheiro. Eu me virei para chamar a vendedora que estava me atendendo - "Isso aqui é interessante!" -, e quando ela terminou com o outro cliente e veio até mim, cheirei meu braço novamente e percebi que o valor ali tinha acabado. As matérias-primas que haviam atuado naquele glorioso espetáculo de abertura extinguiram-se e os componentes mais baratos, que estavam esperando na coxia para nos levar através do resto da história, entraram em cena. E lá estava: uma camada de caproato de alila (acredito) sobre a minha pele - uma matéria-prima da perfumaria que cheira algo entre o abacaxi em calda e a lata que o contém. Não é uma molécula hedionda, mas não é particularmente atraente em grandes doses. Ele cheira mais o desvantajoso 20o. arrondissement do que o elegante 8o., e com certeza é barato. O que ajuda nos lucros, mas não nos perfumes.

Esta é a maneira que os marqueteiros deslumbram os consumidores somente durante o tempo suficiente para pegar nosso cartão de crédito, comprar o perfume e sair da loja. A maioria dos consumidores estará com os cintos de segurança afivelados para a decolagem do avião antes de perceber que o nome Lacroix, infelizmente, não garante nada e que o perfume é muito, muito menos do que sua primeira e esplêndida aparição.

C'est La Fête!
Christian Lacroix
www.christian-lacroix.fr

Tradutor: Erika Brandão

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