CH, novo perfume de Carolina Herrera, é "involução" da marca

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Carolina Herrera Gênero: Feminino

CH, o novo perfume de Carolina Herrera, levanta uma questão: o que a Puig, empresa de perfumes espanhola que faz os perfumes de Herrera, está fazendo? E por quê? Pois a maneira como a coleção de femininos da Carolina Herrera é conduzida é um caso para estudos cuja evolução vem acontecendo de modo quase inexplicável. Talvez o termo adequado seja "involução".



A Puig, no geral, faz um trabalho muito bom com seus licenciadores. Embora pareça incapaz de fazer a marca Nina Ricci deslanchar novamente depois de seu único grande sucesso de 1948 - o absolutamente encantador L'Air du Temps, Puig teve êxito com o One Million, de Paco Rabanne, um competente estilista e um perfume que se tornou hit comercial. E vem fazendo um trabalho espetacular com Comme de Garçons e Prada, ambas linhas de perfumes notáveis e distintas, que habilmente refletem suas respectivas marcas: a beleza estranha e excêntrica da Comme e a alta costura levemente estranha, fria e coberta de Kevlar [fibra sintética muito resistente e leve] da Prada.

Para a linha de Carolina Herrera, a Puig começou com força: em 1988, lançou a primeira fragrância da coleção, Carolina Herrera. Construída por Carlos Benaim, Max Gavarry e Rosendo Mateu, Carolina Herrera é sensacional: um feminino sob medida, imbuído de luxo pós-francês, um floral feito com certa esportividade americana, o que retira a pompa francesa e lhe entrega algo esplendidamente usável.

Em 2003, quase o mesmo trio (o filho de Gavarry, Clement, ficou no lugar do pai) criou Carolina, uma sequência excelente que suavizou a riqueza do antecessor, amplificou seu caráter floral e diminuiu sua idade em duas décadas para ter como público as filhas conscientes e de bom gosto das mulheres conscientes e de bom gosto que usavam Carolina Herrera. Não acredito que eu tenha sugerido qualquer uma das duas fragrâncias para qualquer pessoa em uma loja sem que ela tenha comprado pelo menos um dos dois.

E em 2002, sob a direção criativa de Ann Gottlieb, a Puig fez com que Alberto Morillas e Jacques Cavallier construíssem Chic, um trabalho comercial de vanguarda dos mais subestimados. Seu cheiro é como luz através de um prisma: vítreo, abstrato, modernista. Foi uma ótima diversificação para o portfólio.

Mas surgiram alguns percalços ao longo do caminho. Em 1997 nasceu 212 (o feminino), uma pequena e bela máquina com o mesmo padrão de chassi de anos 90 que tem L'Eau d'Issey e CK One - oceânico, com as notas metálicas e detergentes caridosamente removidas - e um agradável floral. Ele é completo, mesmo com as notas florais recendendo um holograma de flor. Depois de cerca de duas horas ele se transforma numa harmoniosa versão de si mesmo, para então bruxulear como uma vela. Excelente.

Aí vem CH. A filha de Carolina Herrera (também chamada Carolina Herrera) fez a direção criativa desta vez, e sinto muito em dizer que ela, ou a Puig, ou ambas, escorregaram. CH abre com notas de cabeça químicas, doces e frutadas, como se colocássemos adoçante em ameixas e as guardássemos envoltas em filme plástico. Em menos de um minuto ele se transforma em uma variação de frutado menos agradável que o M by Mariah Carey.

Sempre que digo que o perfume é "barato", os perfumistas (neste caso Olivier Cresp e Rosendo Mateu) protestam, alegando que as matérias-primas são, na verdade, bastante caras. Tudo bem. Este perfume tem um cheiro incrivelmente barato. Não é um neon verdadeiro como Midnight Fantasy ou uma bugiganga vinda de um parque de diversões como o superior Darling, de Kylie Minogue, que é mais agradável, verde como relva fresca e com um cheiro mais natural. CH não tem beleza, não tem elegância e não tem originalidade.

Então por que pegar uma coleção que estava no alto e destruí-la? É como se a Puig tivesse feito tanto Carolina quanto Chic desaparecerem. É uma pena que estas fragrâncias não tenham sido um sucesso comercial, e eu realmente me compadeço da empresa licenciada cujo cliente, ao que parece, peça por perfumes que estraguem a marca. Mas a própria licenciada precisa administrar isso, faz parte de seu trabalho. Se ela lançar outro perfume de Herrera como o CH, é capaz de a Puig achar que o trabalho com a Nina Ricci, por comparação, é moleza.

CH
Carolina Herrera
www.carolinaherrera.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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