Paris inspira rios de perfumes; conheça três que representam a capital francesa

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Chanel Avaliação:

Há anos Paris vem inspirando um rio de perfumes, do Evening in Paris (não vale rir) à Paris, a rosa do crepúsculo de Yves Saint Laurent. Têm surgido representações literais e conceitos abstratos - e aqui, para seu deleite, há mais três.

Annick Goutal oferece uma coleção de perfumes das mais parisienses, com um toque de Velho Mundo: frascos criados como que pela sobrinha do Barão Haussmann, são florais frescos e bem feitos. Mas para a maioria, Annick Goutal é sua minúscula e adorável loja na rue de Castiglione, 14, onde gente do mundo todo passa quando está indo ou voltando das Tulherias. O campeão de vendas é Eau d'Hadrien - um cítrico gaulês tradicionalmente refrescante -, embora o prazer puro esteja no Le Chevrefeuille: uma doce madressilva com notas de grama recém-cortada. É este o cheiro que segue a bela garota francesa que sai da loja.

 

  • Divulgação

    Frasco do perfume Le Chevrefeuille de Annick Goutal - 3 estrelas

Chanel Nº 18 é um retrato conceitual de Paris. E um belo retrato. Os perfumistas da maison Chanel Jacques Polge e Christopher Sheldrake tiveram a idéia a partir da joalheria Chanel que fica na Place Vendome, 18, e misturaram no conceito uma jóia translúcida e a elegância do endereço, e criaram a partir daquilo uma fragrância linear e cristalina. Não consigo determinar em que grau o Nº 18 é um perfume brilhantemente pós-moderno, uma espécie muito diferente dos Nº 5 ou Allure. Sua fixação na pele é a falha que lhe custou um frasco da avaliação, mas esteticamente ele é a perfeição. O Nº 18 cheira como se os perfumistas tivesse aprisionado ali uma flor, mas uma flor cujo perfume, de algum modo, emana das vitrines transparentes e imaculadas da joalheria, exibindo suas pedras preciosas.

  • Divulgação

    Frasco do perfume Diorella, da Dior - 5 estrelas

 

E há então a encarnação - de cair o queixo - da Paris da metade do século 20. Se você nunca sentiu o cheiro do Diorella, chegou a hora de fazer isso. Criado em 1972 por Edmond Roudnitska, um dos maiores perfumistas de todos os tempos, ele é espantoso não só porque é perfeito tecnicamente (difusão, evolução na pele, etc) e captura o requinte da mulher do 16th Arrondissement [bairro nobre da cidade de Paris, onde se situam várias embaixadas] em toda sua realeza (salto alto, echarpe, jóias, casaco), mas também por causa de sua surpreendente modernidade. Esta é uma fragrância à frente de seu tempo. Tem 36 anos de idade e ainda cheira como se fosse criada em 2010. Diorella é uma abstração olfativa do luxo, como ouro 18 quilates levemente aquecido. Infelizmente, a fórmula original do perfumista não é mais utilizada (assim como todos os outros perfumes de certa idade, um número de materiais usados foram considerados alergênicos e banidos das composições). Tudo bem. A versão atual continua sendo uma revelação.


 

Tradutor: Erika Brandão


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