Perfume do joalheiro David Yurman foi criado para quem adora as suas jóias

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: David Yurman Gênero: Feminino Avaliação:

As castas dos perfumes - quais são feitos para um público específico, quais são do nicho de luxo e quais passam como perfumes de luxo (atualmente, o setor que mais cresce na indústria) - estão cada vez mais misturadas, já que os indicadores que definiam cada tipo estão tão sutis quanto contraditórios.

David Yurman, a fragrância epônima do designer de jóias, nos traz um excelente exemplo de como as linhas que separam estas castas estão embaraçadas. Talvez isto tenha acontecido porque o perfumista Harry Fremont é um dos maiores mestres desta forma de arte na arte de passear entre estilos e classes.

Os perfumistas, por definição, são camaleões, estética e psicologicamente, pois estão sempre criando fragrâncias para marcas extremamente diferentes. E enquanto é possível traçarmos uma reta que vai de um projeto de nicho de Frederic Malle a um perfume da Lacoste construído para o consumidor de hipermercados, esta vertiginosa mudança de pensamento deve ser difícil de administrar.

Parece que Fremont faz isso sem o menor esforço. Ele é autor do andrógino e intencionalmente abstrato e modernista CK One, de 1994, e do conservador Aramis New West, de 1998, que elevou o minimalismo da brisa oceânica sintética criada para o mercado de massas ao nível de uniforme masculino obrigatório. Fremont pode ir do produto padrão para o mercado de massa (Black Kenneth Cole) ao falso luxuoso (o barato que passa por caro Coach - equivalente olfativo à melhor imitação de uma bolsa muito cara), ao luxo comercial (Vera Wang, o original feminino, e seu melhor) ao autêntico luxo (o rico e agradavelmente bizarro ambarado Noir de Noir, da coleção Tom Ford Private Blend, com perfumes criados tanto para homens quanto mulheres).

Agora falemos sobre o projeto Yurman. O desafio era o seguinte: destilar a essência de um joalheiro sofisticado em perfume. As jóias de Yurman são, no geral, benfeitas, muito caras e usadas nas casas noturnas mais excluivas. No lançamento do perfume para a imprensa, Yurman comentou: "Se vendermos muito ou não vendermos nada, pouco importa. Eu adorei. É isso que interessa". Sybil Yurman, esposa de David, acrescentou: "Este não foi um exercício de construção de uma marca, foi outra maneira de ser criativo". Os dois estavam encantados, entusiasmados e emocionados com o perfume - compreensivelmente, já que Fremont criou uma fragrância que, mais que quase todas as outras que já senti o cheiro, destila com perfeição a sua marca.

Este perfume não é de nicho. Tampouco é feito para as massas. É muito caro, bem construído e foi precisamente posicionado para vender muito, o que é, claro, o que conta: as empresas deveriam ser (bem) aconselhadas a evitar fingir que seus produtos - comerciais - são algum tipo de arte altruísta. Ele é também um dos exercícios de maior sucesso na construção de marca que surgiu em anos.

Mas, o mais espantoso sobre a fragrância de Fremont é que ela realmente se transforma em outra coisa no meio do caminho. Ela começa como um perfume poderoso, dourado, floral, de uma loja de departamentos de luxo, com a sutileza e o estilo de um romance. A fragrância densa de copos-de-leite, gardênias e maquiagem foi pensada exatamente para os que adoram as jóias de Yurman. Então, cerca de uma hora depois, o perfume muda: o metal se esvai e o que surge é um maravilhoso e rico odor de madeira, suave e silencioso, com uma sutil beleza e excelente fixação na pele.

Fremont conseguiu esconder o luxo autêntico dentro de um perfume embalado como um produto comercial e sofisticado. O que significa que os Yurmans têm em mãos um perfume inesperadamente bom.

David Yurman
Por David Yurman
www.davidyurman.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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