Gucci Envy é obra de arte olfativa moderna e enigmática

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Gucci Avaliação:

Gucci Envy não é só categoricamente brilhante como perfume, é uma brilhante obra de arte olfativa que merece ser exibida no Museu de Arte Moderna.

É isso que, com uma única fragrância, as marcas de perfume que aspiram um surreal estado alterado de mente, como Diesel ou Comme des Garçons, gostariam de poder criar - completamente estranho, transmutando a própria forma de arte e colocando-a em outro patamar. É também o que Hermès frequentemente faz em sua coleção, Hermèssences, - cria beleza pura, límpida e requintada. Por fim, por mais improvável que possa parecer, ele se equipara ao melhor dos perfumes sazonais de Escada em seus momentos mais tresloucados e divertidos. Só para registrar: as qualidades técnicas de Envy - fixação, intensidade e estrutura - são perfeitas.



Em 1997, Gucci e seu perfumista, Maurice Roucel, passaram à frente das outras maisons - e de todos os outros concorrentes - com esta fragrância, tão maravilhosamente estranha quanto estranhamente maravilhosa. Primeiro, esqueça qualquer referência à natureza. É interessante como é mais difícil descrever um bom perfume do que um perfume ruim, mas não é de surpreender: isto acontece, em boa medida, porque quase sempre os bons incorporam a originalidade, e esta é, por definição, uma qualidade que desafia a descrição.

Ao buscar consistentemente evitar referências, o romancista se esquiva dos adjetivos. Envy é "verde", mas somente no sentido mais abstrato da palavra; não é um pedaço de uma muda de bétula, mas uma foto digital da mesma. Ele é "limpo" se pensarmos no oposto do odor animalesco de axilas da escola francesa de perfumaria do início do século 20. Ele é "moderno", uma ainda mais abstrata descrição de odor, pois ele não é nem "clássico" (se pensarmos na escola padrão francesa do floral feminino do meio do século 20, como l'Air du Temps), nem "antigo", que é o mesmo que dizer "perfumoso", o próprio termo significando coloquialmente "velha senhora" (para usar o termo da indústria, "aldeídico" - pesado/que remete a talco). E ele é "fresco", mas de maneira alguma no sentido do padrão da escola higiênica americana do final do século 20.

Então o que ele é? Envy é uma inovação verde, fresca, moderna e abstrata, tão enigmático e ao mesmo tempo irresistível quanto os quadrados coloridos e flutuantes de um quadro de Mark Rothko e tão livre quanto informação consciente. Pode ou não ser atemporal. Veremos. Mas é tão singular e indescritível quanto um eclipse.

Envy
Gucci
gucci.com

Tradutor: Erika Brandão

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