Fragrância de rapper Sean "P. Diddy" Combs é audaciosa e "lambível"

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Sean John Avaliação:

I Am King, que recebeu a direção criativa veemente de Sean "P. Diddy" Combs, o artista anteriormente conhecido por todos os apelidos de hip-hop que já surgiram sob o sol, traz uma certa revelação.

Seu colega de marca, Unforgivable, uma fragrância respeitável da Sean John, de Combs, é um dos maiores sucessos financeiros na história da perfumaria. Feito a partir de matéras-primas de qualidade, Unforgivable é admirado por alguns perfumistas: um técnico da indústria da perfumaria me disse que o considera "entre as maiores reinvenções do chipre masculino", a categoria que contém notas de fundo de madeira. Outras pessoas, entretanto, categorizam Unforgivable como mais um masculino tradicional. Eu me encontro no segundo grupo.

Unforgivable é uma variação de um Creed masculino que Combs usou e gostou; portanto, para mim, ele carrega um cheiro derivativo. Seus perfumistas - Aurelien Guichard, Caroline Sabas, David Apel e Pierre Negrin - criaram uma comissão para produzir o perfume, como em uma sala de roteiristas que estão escrevendo episódios da série "CSI: Miami". Eles encheram-no de ambroxan, um sintético que parece modernista e que traz um cheiro de asseio, sempre presente nas prateleiras masculinas. A fragrância também contém bastante bergamota, assim como damasconas, moléculas que deram um toque de "ameixa do espaço sideral". O resultado, entretanto, é um masculino saído de um filme noir, meio Raymond Chandler [escritor americano de romances policiais], meio Russell Simmons [pioneiro produtor de hip-hop americano]. Condimentado e regular como um pneu Pirelli no asfalto. Sensual, porém urbano. Seu estratagema é a força abrupta.

Em 2007, o mesmo time de perfumistas produziu Unforgivable Multi Platinum, um belíssimo perfume. Platinum emprestou a forma do original e se transformou em uma máquina de êxtase, que seduzia ao invés de atacar. Infelizmente, ele não está mais disponível para vendas.

Dois meses atrás, a publicidade para I Am King - uma reinvenção quase completa do Unforgivable - estava sobre cada um dos táxis da cidade de Nova York. Este é outro produto feito em equipe: o perfumista Laurent LeGuernec jogou na frente, e os criadores de cheiros Carlos Benaim, Jean-Marc Chaillan e Loc Dong no meio de campo. Sean Combs, com Karyn Khoury e Trudi Loren, ambas da Estée Lauder, determinaram uma ordem central: "Quando eu usar este perfume, quero ser 'lambível'." A fragrância partiu dali, com Combs pressionando, cheirando e repetidamente rejeitando os esboços que lhe eram apresentados. "Minha assinatura é a clareza", Combs disse para seu time. "Quando você compra um Mercedes, vê imediatamente que é um Mercedes, e quando você compra Sean John precisa saber que é Sean John. E Sean John é claro."

Mas será que ele também é "lambível"? Sim, conforme ele vai se revelando. Quando Sean John sai deste frasco, ele está maravilhosa, imensa e excitantemente apto a ser lambido. Surge uma delícia suculenta, cítrica, de onde você menos esperava.

Inicialmente, os fabricantes que competiam para criar a fragrância estavam desanimados por causa da idéia do Sr. Combs: como seria possível misturar um masculino potente com fruta? A equipe da [casa de fragrâncias] International Fragances and Flavors (IFF), que ganhou a concorrência, acabou por usar um extrato de cassis - através de um novo método que usa o gás HFC - a partir de matérias-primas fornecidas pela empresa LMR, da qual a IFF é dona. A extração empresta um cheiro de cassis sem o odor de urina felina que às vezes empesteia o material e que imprime, por sua vez, uma fruta silvestre escura, frutada e muito evidente. Eles também acrescentaram um acorde de torta de limão, um acorde de torta de tangerina e um formigante efeito de "confeitos de ozônio" com o uso de trioxigênio. Loc Dong passou um mês trabalhando com os flavoristas da IFF. O projeto do I Am King incluiu um cheiro de protetor labial que, Le Guernec diz, "dá vontade de lamber os lábios da pessoa que estiver com o perfume".

"É o primeiro cítrico frutado para homens", contou Le Guernec para mim, e pode bem ser. Tão irresistível quanto um bom refrão pop, ele tem a mesma acessibilidade ajustada com perfeição do Light Blue for Women, e merece se tornar um grande sucesso. O pessoal do marketing sempre usa a odiosa palavra "viciante". Esta é, finalmente, uma fragrância que faz jus à tal descrição.

O pequeno ponto fraco é sua volatilidade, ou como o perfume se comporta depois de cerca de uma hora na pele. A volatilidade do I Am King apresenta as figuras de linguagem do Unforgivable, e gera um efeito tão sem graça quanto as enfadonhas fotos de release para imprensa de Combs surgindo de um helicóptero. Estas imagens são tão desanimadoras visualmente quanto a volatilidade é olfativamente medíocre. Ele contém algumas madeiras comuns, levemente reforçadas pelo veramoss, um musgo de carvalho sintético que passa a idéia do "macho tradicional". Pode-se também identificar o suederal, um couro sintético cativo e exclusivo da IFF, e traços de labdanum do LMR. Juntos, eles criam o efeito de um chipre misterioso. As matérias-primas são de boa qualidade, e dentro do possível está muito bom.

A solução é simples: reaplique I Am King. A sedução doce das frutas frescas inunda os sentidos e flutua na pele. Audacioso, inventivo e olfativamente marcante.

I Am King
Sean John
seanjohn-iamking.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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