Fragrância Lyric Woman tem um cheiro mais leve que o ar

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Amouage Avaliação:

Amouage é uma maison especializada - e uma bem cara na sua área de atuação - que tem sua direção em Londres, mas que mantém as raízes no Oriente Médio. A casa tem o apoio financeiro da família real Omani, e sua estética olfativa foi profundamente inspirada pela península árabe.




Sempre acho que as fragrâncias da Amouage têm mais incenso do que julgo necessário (o Oriente Médio é, aliás, uma das regiões de origem do incenso). Pesado, denso, talvez misturado com rosas defumadas, nunca chamuscadas, suas intensidades geralmente estão ajustadas para o modo "assolador".

Os dois perfumes originais de Amouage, criados pelo grande perfumista Guy Robert e lançados em 1983, estão repletos de matérias-primas que custam mais do que a dívida do Citicorp. Entretanto, sua personalidade evoluiu desde então, e seu novo diretor criativo, Christopher Chong, recentemente contratou alguns excelentes artistas do olfato: Mark Buxton, Maurice Roucel e Bertrand Duchaufour. Como resultado, os dois lançamentos mais recentes da maison, Lyric Woman e Lyric Man não só são tecnicamente excelentes como também têm um cheiro mais leve que o ar, e são como máquinas de Júlio Verne prateando os céus.

Ambos são fortes e ao mesmo tempo quase não têm peso, o que é uma combinação maravilhosa. E a criatividade? No meio da onda atual de fragrâncias castradas e clichês, as duas versões de Lyric são uma fração de conforto, sólida e polida como os [tradicionais carros ingleses] Aston Martins dele e dela. Se não há um product placement planejado, no qual um Daniel Craig nu borrifa o Lyric Man no punho adornado por seu Rolex, a família real Omani está seriamente perdendo tempo. Chong pode ter supervisionado a criação destes dois perfumes, mas eles cheiram como se tivessem a co-direção de Marc Forster.

O perfumista Daniel Visentin criou o Man, e fez um trabalho esperto. Seu odor é como o titânio, um metal incrivelmente forte e incrivelmente leve. Vai de 0 a 60 em uma inspiração, começa com um soco gourmet de chocolate floral, depois navega sobre as milhares de imitações metálicas do Cool Water. A força de fixação do Man é levemente decepcionante, mas basta reaplicá-lo. Durante um boa hora, ele é uma evocação surpreendente de um pedaço de chocolate peruano meio amargo, cortado bem fininho com um uma faca high-tech muito afiada.

Lyric Woman merece um frasco a mais na classificação. O perfumista Daniel Maurel invocou uma quimera de cítricos, flores e condimentos: sua genialidade está no fato de que se você fechar bem os olhos, pode sentir cada uma das partes se movendo ali dentro. Primeiro vem uma onda de condimentos quentes, de deixar a boca cheia d'água, junto com um pouco de creme e toques de bergamota; depois, quando a turbilhonante cobertura se esvai, após cerca de 20 minutos, surge a madeira e o incenso, exercendo papéis sutis. Esta é a neta de olhos cor de violeta do Opium e a sobrinha mais brincalhona do Comme des Garçons 2. O efeito de laranja azeda será controverso, assim como algumas das puras notas florais e condimentadas: pessoalmente, acredito que isso suspende toda a máquina e faz com que ela flutue rente ao chão, sobre a própria sombra. É uma máquina deliciosa, entretanto, e uma sombra deliciosa; e é possível que assim que você começar a usá-lo, nunca mais consiga se sentir verdadeiramente nua sem ele.

Lyric Woman
Amouage
luckyscent.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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