Perfume M by Mariah Carey é meloso e lembra algodão doce quente

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Carlos Benaim e Loc Dong Avaliação:

A vida de Mariah Carey parece um conto de fadas desconstruído. Tommy Mottola, presidente da Columbia Records, descobriu Carey em 1988, e seu álbum de estréia gerou cinco singles que ficaram em primeiro lugar nas paradas. Depois veio, segundo dizem, seu sufocante casamento com Mottola, que terminou em divórcio e na sua saída da Columbia, em 2001. Carey foi desligada de sua gravadora seguinte, batalhou por negócios que não lhe trouxeram retorno financeiro e sofreu um colapso, físico e emocional. Seu projeto para o cinema fracassou. Então, em 2005, ela lançou "Emancipation" e voltou ao topo.



Em termos vocais, Carey é extraordinária - seu problema nunca foi talento, e sim bom gosto e substância. Ela usou um registro sonoro que os críticos apelidaram de "pop hélio", que somente os cães e os adolescentes parecem preparados para tolerar. A revista Time descreveu suas canções como "frequentemente melosas e artificiais - um soul de adoçante". A revista inglesa New Musical Express chamou Carey de "uma provedora de bobagens com sacarina".

Quando Elizabeth Arden comprou os direitos para produzir o perfume de Carey, parecia certo, portanto, que seu perfume estaria dentro da categoria dos ultradoces neon gourmand. A categoria é absolutamente legítima, a questão, assim como na música de Carey, trata de gosto e substância. Temos sorte que Arden escolheu os competentes perfumistas Carlos Benaim e Loc Dong para criar M by Mariah Carey, um ultradoce quase paradigmático.

Sob a direção criativa de Ron Rolleston e Noreen Dodge, Benaim e Dong transpuseram o soprano de hélio e as letras imortais ("it's just a sweet,") para o formato olfativo com etil maltol, a molécula que dá o gosto e o cheiro no algodão doce, e que eu amo. Quando terminaram, os perfumistas entregaram para Arden uma arma engarrafada apontada, com uma precisão comercial mortal, para o coração dos conhecedores de Mariah Carey. Ao sentir seu cheiro, a pessoa está consciente, se não temerosa, da possibilidade de um choque diabético. Seu odor é a reminiscência de uma adolescente de top passeando por um calçadão à beira-mar em New Jersey, que lhe banha com seu cheiro: algodão doce quente, bala toffee, daquelas que grudam na boca, e um toque de gel de cabelo sendo aquecido sob o sol.

M não é tão bom quanto o Midnight Fantasy for Britney Spears de Caroline Sabas - Spears também trabalha com Elizabeth Arden - mas é uma Mariah Carey reconhecível, e o fato de que Carey vendeu 200 milhões de álbuns sugere que engarrafar um perfume que seja como uma Mariah Carey é mais importante do que criar um perfume melhor. Stephen Holden escreveu uma vez no New York Times que as melhores músicas de Mariah "levam a produção de pop melado para um patamar mais alto de refinamento texturizado". Se Carey não fizer seu gênero, você simplesmente nunca vai pegar seu frasco na prateleira; se fizer, este perfume será realmente uma doce, doce fantasia, querido.

M by Mariah Carey
mariahcarey.com

Tradutor: Erika Brandão

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