Perfumista americano artesanal, Neil Morris cria fragrância masculina com luxo retrô

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Takashimaya Avaliação:

O perfumista ultraespecializado Neil Morris elabora suas obras num estúdio em sua casa em Boston, onde ele é o próprio diretor criativo. Morris é autodidata - começou compondo fragrâncias em 1975 - e você pode sentir o cheiro de seu trabalho: é artesanal, não tem nada a ver com corporações ou perfumarias. Lauder, Procter & Gamble e Möet Henessy Louis Vuitton, com seus executivos de criação e pesquisas de mercado, jamais lançariam estas fragrâncias. As qualidades de Morris variam, mas diferente de muitos dos perfumes das grandes marcas, aqui há um cheiro de que alguém está experimentando: Que tal isto? Que tal aquilo?




Morris corre riscos. Nem todos dão certo. Prova 1: Coral, uma fusão entre o hálito de uma adolescente mascando chiclete e o cheiro do tapete sintético da sala de uma casa na Flórida nos anos 50. Se você entender que Coral é intencionalmente irônico, como o brilhante perfume de Yves Saint Laurent, Baby Doll, pode considerá-lo uma obra de arte. Do contrário, vai considerá-lo simplório.

Aegean, em princípio, é uma fragrância fresca dos anos 90: ela extirpa o cítrico em favor dos sintéticos refrescantes que apresentam, para usar o jargão do marketing vazio, "notas aquáticas". Mas a saída de Aegean não tem o choque da água gelada com metal e fréon do Azzaro Chrome, e suas notas de fundo se transformam no cheiro de um balcão limpo e vazio.

Isto é estranho, uma vez que as outras obras de Morris são esculturas olfativas chocantes e com algo a dizer. Gotham é uma fragrância de couro modernizado, com um ponto de vista animalesco. "Animalesco" aqui significa um cheiro animal, como as axilas de um corretor da Bolsa de Valores observando os índices da Dow Jones. Dada a atual selvageria de Wall Street, Gotham é desconfortavelmente apropriado. Depois de cinco minutos, o couro se impõe, o cheiro de axila se transforma num murmúrio de fundo, a coisa toda entra nos eixos e você tem ali outro clássico - o cheiro da biblioteca de um cavalheiro, com o cavalheiro dentro. Não é original, mas quem se importa? É um masculino suave, rico e perfeitamente construído, que merece ser experimentado.

Eu nunca havia sentido um cheiro como o de Afire antes. Ele abre com uma geléia de ameixa mentolada, morna e doce. Depois a menta (que é impressionante) dá um mergulho e então flutua logo abaixo da superfície - todos os perfumes de Morris fazem uma rápida metamorfose na pele - e Afire se transforma no cheiro de um indescritível licor de frutas fervendo na panela de um chef pâtissier.

Mas o perfume de Neil Morris para Takashimaya, apresentado no ano passado, talvez seja sua criação mais notável. Composto como um produto exclusivo para a extravagantemente bela loja de departamentos japonesa, o perfume passa uma sensação retrô de luxo através de um efeito pré-modernista, de talco e móveis esmaltados. Ele traz à mente frutas roxas - pinot noir e ameixas maduras - além do cheiro de um boudoir dos anos 30: as fragrâncias dos antigos cremes e maquiagens e das cortinas de veludo escarlate.

Esta poderia ser a fragrância irmã de Black Orchid, de Tom Ford, sem o conhaque: uma excelente difusão, excelente fixação e uma bem construída infraestrutura que, enquanto complexa, mantém sua integridade e equilíbrio. Pode ou não ser para você, mas vale o preço da passagem para embarcar nesta viagem olfativa.

Neil Morris
Takashimaya
takashimaya-ny.com

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