Fragrância inglesa Ormonde Man recria a gentileza masculina

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Ormonde Jayne Avaliação:

Ormonde Jayne é uma perfumaria especializada de Londres, dirigida por sua criadora, uma inglesa atraente e elegante chamada Linda Pilkington. Ela tem um profundo refinamento quando a questão é o design visual - a loja que parece uma caixa de jóias da Old Bond Street até dói de tão chique (paredes ônix laqueadas e perfumes, loções e velas primorosamente embaladas) - mas ela também tem perspicácia para os negócios.




Por um lado, ela escolheu a perfumista Geza Schoen para criar perfumes a partir de sua base olfativa, e Geza é uma feiticeira das fragrâncias no auge de sua carreira. Por outro lado, a coleção Ormonde Jayne conseguiu engarrafar uma estranheza hipnotizante que permanece, às vezes muito sutilmente, ao lado das fragrâncias artísticas que não são usadas: Isfarkand tem um cheiro maravilhoso e surpreendente de pimenta; Champaca tem o cheiro translúcido das folhas verde-esmeralda dos arrozais em seus campos encharcados. Se alguém criar uma coleção de perfumes daqui a um século, é bem possível que ela lembre a coleção da Ormonde Jayne.

Ninguém é perfeito, e alguns dos perfumes da maison decepcionariam até no século 21. Zizan é um masculino clichê, um pouquinho mais interessante à medida em que ele vai além da equação higiência dos anos 90, cromo + sabão em pó.

Ormonde Man, entretanto, é espetacular. Ele emprega elementos da escola higiênica para oferecer algo incomum: a gentileza masculina. Não consigo imaginar uma fragrância mais correta para estes tempos rudes. Especiarias e componentes cítricos são ingenuamente escondidos dentro de um creme doce e pesado, e em uma pele masculina quente e macia. Um feno absoluto, talvez. O efeito geral é de claridade que vai se tornando cada vez mais dourada, embora na verdade seja na arte contemporânea que encontramos as belezas que primorosamente desprezam identificações.

Em italiano, "furbo" significa dissimulado, e esta fragrância é "furbo", mas no bom sentido. Não dá para saber se ela é sutil ou invasiva (é as duas coisas). O fato de Geza Schoen criar tal perfume e Linda Pilkington vendê-lo como um masculino, é uma das pequenas revoluções que nos faz acreditar mais uma vez na possibilidade de homens usarem perfumes inteligentes.

Esta nova estética me lembra algo que o crítico de poesia Adam Kirsch escreveu: "Por mais estranho que pareça, a poesia americana de hoje é mais sensível, mais tranquilizadora, mais fácil para o leitor do que em qualquer outra época nos últimos 100 anos." Sim, as técnicas modernistas estão arraigadas, ele admite (alusões complexas, surrealismo, etc). "Wordsworth [o poeta inglês], estilisticamente, acabou." Mas o tempero modernista também acabou. "A poesia reiterou seu papel Wordsworthiano do século 19 como um conforto e um consolo, um refúgio dos rigores do mundo." "O impulso", ele acrescenta, "é restabelecer e curar." Adam Kirsch propôs este verso:

Enquanto isso,
o grande mar de compaixão
veio, foi, veio.
E a montanha azul
que se mantém dos próprios resíduos
e os cegos que lavam seus cabelos
nunca se cansam de seu ofício.

Compaixão. Um xampu. E a fragrância de Ormonde Man.

Ormonde Man
Ormonde Jayne
ormondejayne.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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