Fragrância masculina Play marca o fim da Era de Ouro da Givenchy

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Givenchy Gênero: Masculino Avaliação:

Para várias marcas de perfumes, sempre existem duas eras distintas: Antes e Depois. Esta divisão não é determinada por tempo ou pela saída de um designer ou diretor criativo. Na verdade, a divisão é determinada por uma mudança de estilo. A Lacoste, por exemplo, não tem Antes e Depois. Ela produz fragrâncias desodorantes e esportivas, e sempre foi assim. A Givenchy, ao contrário, pode ser a maison com as eras mais diferentes entre si.

 

Na Givenchy, hoje estamos certamente no Depois.
Antes, Hubert de Givenchy tinha uma musa: Audrey Hepburn, uma das maiores estrelas do cinema de todos os tempos, um ícone de estilo. Hepburn foi um símbolo da verdadeira alta costura, como o próprio Givenchy, e seus perfumes são dignos de elogios efusivos até hoje.
Em 1957, a maison lançou dois femininos: o cativante Le De, criado pelo lendário perfumista Ernest Shiftan - seu nome vem do "de" que está no aristocrático nome Hubert de Givenchy, e l'Interdit, um trabalho modernista excepcional e luxuoso do pós-guerra, um floral criado por Francis Fabron. (Givenchy perguntou a Hepburn se ele poderia dar o nome dela ao perfume, e ela respondeu: "Je vous l'interdit", ou "eu o proíbo"). Os dois perfumes ainda se portam incrivelmente bem nos dias de hoje.

Em 1959, a Givenchy lançou dois masculinos. Fabron criou o excelente, adstringente e verde Vetyver e colaborou com Jean Guichard na criação de Monsieur de Givenchy, batizado em honra ao presidente do grupo. Hoje, Monsieur serve como referência de fragrância, uma versátil metáfora do homem dos anos 50. Particularmente, ele não me interessa, mas interessa a milhões de homens e mulheres - e foi realizado melhor que muitos.

Monsieur foi copiado inúmeras vezes. Play for men é a mais nova repetição da fragrância, e marca o fim da Era de Ouro da Givenchy.

O Depois de Givenchy tem sido uma evolução, derivada de forças darwinianas - ou comerciais -. Não se pode culpar a empresa por fazer uma jogada tão populista. Mas você pode lamentar o fato. Em 1991, nasceu Amarige, de Dominique Ropion. Um imenso e perfeito bouquet que se tornou um sucesso. Todos tinham, todos queriam. Em 2002, Givenchy Pour Homme, de Alberto Morillas e Ilias Ermenidis, foi um masculino correto e comercial, de modo algum mal realizado, mas de modo algum feito com criatividade. Em 2000, a diretora criativa de Givenchy, Françoise Donche, autorizou o perfumista Jacques Cavallier a produzir Hot Couture, um gourmand de framboesa declarado, que era, por outro lado, criativo e divertido. Ele previu os gourmands neons de hoje em dia, mas aquela não é uma grande obra em si.

Mas agora temos o Play, criado pelos perfumistas Emilie Coppermann e Lucas Sieuzac, sob a direção criativa de Donche. Você já sentiu seu cheiro milhares de vezes. Não há nada de errado ali, ele fica em algum lugar entre uma madeira genérica e uma especiaria genérica. Tem um frescor genérico. Nada de metal, com um toque cítrico, intensidade e fixação pouco pronunciadas, e pronto. Só há uma coisa absolutamente certa ali: pelo fato de a campanha exibir o rosto de Justin Timberlake, esta máquina está perfeitamente calibrada para se tornar um estrondo comercial.

Sei que, para deixar os acionistas felizes, a editora Doubleday precisa do "Código Da Vinci" e os estúdios da Paramount precisam do "Transformers", e seria uma bobagem negar que a Givenchy precisa do Play. Dito isto, e se a Givenchy pegasse um pouco dos lucros obtidos com Play e apostasse em um masculino verdadeiramente bom, como Terre d'Hermes, de Jean Claude Ellena, ou Geranium Pour Monsieur, de Dominique Ropion para Frederic Malle? Givenchy já teve Ropion, criando Amarige. Por que a maison não o chama de volta para tentar um Geranium Pour Homme for Givenchy? Não há nada de errado com um perfume comercial decente com apelo para as massas. Estou simplesmente dizendo que seria triste perder o incrível DNA do Antes. E a Givenchy não precisa perdê-lo.

Play
Givenchy
www.playgivenchy.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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