Profumo, da Acqua di Parma, resgata a elegância italiana da época dos filmes de Fellini

Notas Perfumadas

  • Frasco do perfume Profumo, da Acqua di Parma
    Criadora: Acqua di Parma Gênero: Feminino Avaliação:

Nostalgia é uma coisa complicada. Despida de anseios, se transforma em orgulho, se fica muito densa, vira melancolia. Mas se cuidadosamente contida, pode ter o poder de nos levar de volta ao passado.

Na Itália e na Espanha, aprendi que não é preciso ter vivido em determinado lugar, em determinada época, para conhecer eras passadas – visões, sons ou cheiros são capazes de nos colocar em um passado que nunca conhecemos. Para ser nostálgico, no fim, não é preciso ter vivido aquilo pelo qual se tem nostalgia.

Lembro de entrar em um bar de tapas em Madri, um lugar escuro, construído há mais de cem anos com uma madeira embutida com cheiros de presunto cru e queijos fortes e fumaça de cigarro – os cheiros da própria Espanha nos anos 20 ou nos anos 50. Ande pelas galerias italianas do século 19, cobertas de vitrais, com suas curvas e ecos e cheiro de mármore e metal, e do ar seco da Itália. Esses lugares servem virtualmente como arquivos de lembranças das milhares de pessoas que estiveram ali antes de nós.

Os aromas da Acqua di Parma recendem uma Itália que existiu pouco mais de meio século atrás, se tomarmos os filmes de Fellini como guias. O homem de “La Dolce Vita” teria usado Acqua di Parma Colonia, uma água fresca pós-barba de limão, laranja, grapefruit e um pouco de sálvia ou lavanda. Chamar esta fragrância de “clássica” nem começa a descrevê-la. É a memória daqueles homens elegantes e seus primorosos chapéus e ternos de linho. É a crença deles nas jaquetas, nas gravatas, nos sapatos engraxados e nas mulheres – crenças que se mantêm mesmo durante o calor de agosto. Aqueles homens eram simples, mas tinham força. Estas novas memórias difusas daquela época são mais cativantes que qualquer novidade – talvez seja por isso que a gente ama tanto o passado.

Entendo por que a marca Acqua di Parma desconcerta muita gente. As fragrâncias parecem ter origem em uma Itália que existia entre 1925 e 1963. Seu Iris Nobile vem do universo luxuoso do Chanel No.19 e da elegância fria de Daim Blond, do perfumista Serge Luten. Ele é menos: menos luxuoso, menos elegante, menos frio, menos distante, infinitamente menos reluzente. Não existe o termo “reluzir” para Acqua di Parma. Não vou entender nunca por que o CEO da LVMH, Bernard Arnault, comprou essa marca,com seus figos da Costa Amalfitana e suas laranjas de Capri. Jackie Onassis se foi, e junto com ela partiu também aquela marca de elegância.

Mas você pode encontrá-la em Profumo. Este é o cheiro do sol sobre a pele de Sophia Loren quando ela e Clark Gable trabalhavam em “Começou em Nápoles”. Esta é a fragrância do Scala antes do primeiro ato da La Traviata. Este é o luxo das flores envoltas em ouro de outras épocas, mais denso e perfumado por causa da tecnologia de extração, pouco avançada a ponto de quase não as reconhecermos como flores. O fato de Profumo ter sido criado em 2000 pela perfumista Nathalie Lorson é irrelevante. Esta mistura de patchouli, rosa e baunilha é uma máquina do tempo, assim como um perfume. É um âmbar, dentro do qual você pode ver incrustado imagens de filmes fellinianos e fotos de Jackie Onassis.

A beleza de Profumo é aquilo que você pode usar, hoje.

Tradução: Erika Brandão
 

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