Visando o mercado, o masculino Signature Blue Mark reprime seu fascinante elixir de menta

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Jack Black Gênero: Masculino Avaliação:

Emily Dalton e Curran Dandurand trabalharam muito tempo na indústria da beleza, dando ouvidos a homens curiosos sobre produtos e tratamentos, mas com medo de tocar em alguma coisa "muito feminina" ou "complicada". Eles então resolveram o problema ao criar a própria marca, exclusivamente para o macho da espécie, chamada Jack Black.



Dalton e Dandurand apareceram com frascos e tubos muito bonitos, que faziam lembrar as poções alquímicas do velho mundo, depois acrescentaram um toque do design das garrafas de bebida alcoólica e selos de charutos. Mas a dica, claro, é que enquanto a embalagem faz com que coisa chegue às mãos de um homem, a marca em si vive ou morre pelo produto que está ali dentro. E o produto, em grande parte, vive ou morre pelo seu cheiro.

Então quais são os cheiros masculinos tradicionais? Hortelã, mentol, sálvia, lavanda, eucalipto, alecrim. E gim. Quando concebível, a masculinidade romântica somada a uma saudável dose de Gordon vira objetivo? Sendo assim, as pessoas certas para criar fragrâncias para seus produtos são Claude Dir e Yann Vasnier, da criadora de fragrâncias Givaudan.

Vasnier fez o Jack Black Signature Black Mark, Dir fez tanto o Blue quanto o Silver Mark. Mais uma vez, uma extraordinária embalagem com o toque certo de humor ("borrife com responsabilidade", pode-se ler no verso da caixa), e qualquer um dos três pode ser carregado por aí em um pequeno frasco prateado, ao lado da loção pós-barba em uma nécessaire masculina.

Black é, como esperado, o mais sombrio dos três: tem cheiro de carvão queimado, ervas torradas e couro curtido. Um pouco presunçoso para o meu gosto. Silver é um pouco menos estoico e mais intrépido. Dir usou sintéticos chamados isobutil quinolonas para criar um couro mais agradável, um excelente cardamomo da Guatemala para dar certo exotismo através da pungência do condimento, e o sintético chamado Ebanol, uma nova "molécula cativa" (patenteada) de Givaudan, para um arremate cremoso de sândalo.

Dentre os três, prefiro Blue Mark. Eu espero há anos por uma fragrância com menta, uma ideia tão obviamente engenhosa quanto engenhosamente óbvia, e Dir, Dalton e Dandurand traçam um caminho plausível para nos suprir com uma. Os componentes básicos de Blue resultam em uma obra de arte culinária. Dir começou com um maravilhoso gengibre e um zimbro japonês, deslumbrante de tirar o fôlego. Depois, acrescentou algo tão mundano quanto mágico: uma pequena molécula chamada Carvona Laevo. Carvona Laevo é o que chamamos de "sintético idêntico à natureza", o que significa que você pode encontrar a mesma na natureza, mas é mais barato e mais simples produzi-la sinteticamente. E é quixotesco, uma fragrância flutuando entre a hortelã doce e etérea e a leve alcarávia [ou kümmel].

O fator limitador no Blue (e no Silver e no Black) é o público-alvo. A maioria dos homens têm medo de perfumes muito criativos. Nenhum piloto de caça respeitado da I Guerra Mundial vai borrifar tanta formosura escancarada. Então Dir envolveu Blue em Agarbois, uma cativa amadeirada e direta da Givaudan, que faz com que os rapazes se sintam confortáveis. A decepção é que, enquanto esta adição é uma decisão comercial inteligente, seu efeito quase que reprime completamente o fascinante elixir de menta e montanha asiática. O lado bom é que, primeiro, ainda se pode perceber na pele uma fragrância masculina com ótimo corpo. Além disso, Jack Black pode sempre criar uma quarta fragrância masculina, uma que não os deixe confortáveis, e sim perplexos. E eles já têm a arquitetura básica para tal.
 

Tradutor: Erika Brandão

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