Tea for Two, da L'Artisan Parfumeur, tem beleza e excelência para ser usado por décadas

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: L'Artisan Parfumeur Gênero: Unissex Avaliação:

Na perfumaria, uma escola realista/literalista se empenha em produzir pinturas olfativas, que reproduzam qualidades de objetos reais. A maison L'Artisan Parfumeur, com sede em Paris, faz vários desse tipo: um ótimo exemplo é Safran Troublant, criado em 2002 pela perfumista Olivia Giacobetti, que construiu a fragrância fascinante e fotograficamente realista En Passant para Frederic Malle.



Giacobetti (cujo pai é, casualmente, fotógrafo) está longe de se limitar a esta tendência. O trabalho para sua própria maison, Iskia, é ousado e desafiador e estende os limites da abstração a um nível assustador. Outra vez, seu trabalho realista com o Tea for Two, nascido em 2000, transcende um gênero que em sua forma mais rígida reflete a experiência de se estar em uma biblioteca de odores, como fotocópias em alta resolução de coisas que você sente o cheiro nos bairros mais elegantes de Nova York - e em sua forma mais popular, de um aromatizador de ambiente.

Com Tea for Two, Giacobetti captura com exatidão uma xícara de Lapsang Souchong: um chá condimentado, escuro, esfumaçado (sem leite e com pouco açúcar), embora ao mesmo tempo manipule-o em uma abstração artística: um condimento doce e etéreo. Longe de ser somente a soma de suas partes, é um conceito do objeto. Do mesmo modo, Safran Troublant é, ao mesmo tempo, o cheiro do açafrão e o cheiro de muito, muito mais. É um perfume com a alma de açafrão, mas cuja estrutura e forma transmitem um floral deliciosamente leve, com uma beleza um pouco estranha que desabrocha na pele.

Existem outros modelos de perfumaria do mundo real. Fleurs de Chocolat, da Fresh, é bom. Missoni by Missoni, criado por Maurice Roucel é melhor: chocolate com avelã por baixo de uma teia de seda de frutas e flores. Enquanto a edição limitada de Pure Coffee, do Thierry Mugler, provou seu caráter divertido por um certo tempo (tempo este que depende do quanto você se diverte por estar com cheiro de café. Eu me diverti bastante com isso), Tea for Two nos mostra que há algo sobre os chás que nos cativa por muito tempo.

Para começar, a estrutura é impecável. Não há nada fora do lugar. Cada sulco entre as matérias-primas é cimentado milimetricamente. Sua difusão perfeita deixa a fragrância tecnicamente magistral, mas sua personalidade artística faz com que ela vá um pouco além. Tea for Two não quebra a barreira das obras-primas de cinco frascos como Envy, da Gucci - não é uma revolução - mas é um perfume criado com beleza e excelência, um daqueles em que você pode encharcar os sentidos durante décadas, e ele ainda continuará sendo delicioso em todas as ocasiões.

 

Tradutor: Erika Brandão

UOL Cursos Online

Todos os cursos