Fragrância The Beat, da Burberry, é boa, mas pouco ousada

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Burberry Avaliação:

A Burberry é licenciada para a Inter Parfums, e minha principal crítica aos perfumes produzidos pela Inter Parfums, entre eles Christian Lacroix, Lanvin, Banana Republic e the Gap, é a falta generalizada de ousadia. As fragrâncias da Inter Parfums podem ser competentes ou não, podem ser erros comerciais ou tiros certos, mas para mim elas quase sempre prescindem de coragem.



Agora chega a versão feminina do The Beat. Christopher Bailey (diretor criativo da Burberry) e Philippe Benacin (diretor executivo da Inter Parfums), mais o time de perfumistas Beatrice Piquet, Dominique Ropion e Olivier Polge, fizeram uma coisa bem competente e sob medida para a marca Burberry, quase inovadora.

The Beat conseguiu atrair uma surpreendente quantidade de atenção e seguidores devotos, e não é difícil entender por quê. É uma fragrância agradavelmente avant-garde, equilibrada com esperteza e cuidado no ponto do pêndulo onde o diferente e admirável frescor encontra o comercialmente acessível. Em outras palavras, The Beat consegue administrar um pouco de vanguarda sem ser realmente provocativo (como o brilhante Gucci Envy), uma monumentalidade para os neurônios (Angel, Outrageous) e uma desorientação estranha (como quase tudo de Comme des Garçons). Isto é tanto uma fraqueza - pelo menos para aqueles com gosto sofisticado e ânsia por emoções fortes - quanto sua força. Podem argumentar que, dado o que a Burberry esperava, sem a menor dúvida o pêndulo acaba se desequilibrando um pouco para o lado da força.

A porção avant-garde do The Beat (sua melhor parte) descende de um forte ancestral estético, uma das fragrâncias mais inovadoras e autenticamente estranhas das últimas duas décadas: Dzing!, criada pela extremamente talentosa e quixotesca perfumista Olivia Giacobetti para l'Artisan Parfumeur. O conceito dela era o cheiro do circo: a serragem, o cheiro selvagem dos tigres, as maçãs-doces, o ar que fica sob a lona.

Se você conhece o projeto conceitual, consegue distinguir estes elementos com clareza. Mas o crítico de perfumes Luca Turin notou que Dzing!, na verdade, tem cheiro de papelão (o que comprova quão pouco o conceito de um perfume tem a ver com o resultado final da arte), e esse papelão é uma mistura confortável e sutilmente suculenta de madeira, especiarias e creme.

E isto é parte do que você percebe. A outra parte é um feminino acetinado, fashionista e urbano: não tem nada de floral, e sim do cheiro - literalmente - do interior de um [carro] Aston-Martin: metal, couro de ótima qualidade, tapeçaria, vidro e ar refrigerado. The Beat poderia realmente ser uma declaração. Ao invés disso, aquele potencial é em sua maior parte incorporado a uma fragrância gourmand contemporânea e bem feita: massa de bolo e especiarias adocicadas, eximiamente manipuladas e que fazem lembrar o novo Secret Obsession da Calvin Klein, porém com menos complexidade culinária e menos texturas - em outras palavras, menos ousado.
The Beat é bom. É uma fragrância agradável e carrega um toque britânico, uma boa representação da nova Burberry e do que é hype em Londres atualmente. Talvez seu único porém seja o fato de que, se fosse um pouco mais longe, ele poderia ter sido muito mais.

The Beat
Burberry
burberry.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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