Saiba tudo sobre colchões antes de escolher o seu e garanta uma boa noite

DANIELA VENERANDO
Colaboração para o UOL

  • Getty Images

    Não se pode ter pressa na hora de comprar o colchão. Deixe a timidez de lado e deite-se por pelo menos cinco minutos para textar o produto. Outra dica é procurar lojas especializadas

    Não se pode ter pressa na hora de comprar o colchão. Deixe a timidez de lado e deite-se por pelo menos cinco minutos para textar o produto. Outra dica é procurar lojas especializadas

Passamos um terço de nossa vida dormindo. Então nada mais justo do que descansar num colchão de qualidade. Uma escolha errada pode acarretar noites mal dormidas, causar um sono fragmentado, além de dores na coluna vertebral e torcicolos.

Segundo o médico Fábio Ravaglia, presidente do Instituto Ortopedia e Saúde, o bom colchão deve manter a coluna alinhada e exercer uma função ortopédica, o que significa ceder na medida exata da curvatura do corpo. Para isso, não pode ser nem muito duro, nem muito mole, e dar total apoio à coluna, sem forçá-la.

Na prática, uma superfície muito dura não traz conforto e deixa a coluna torta ao flexionar para cima as articulações mais pesadas, como quadris, ombros e coxas. Se for muito mole, elas afundam, deixando também a coluna torta. "O colchão deve ser mais para o rígido do que para o mole e os músculos devem estar relaxados. Deve-se observar a resiliência, ou seja, a capacidade do colchão de voltar ao normal quando pressionado por uma pessoa sentada ou deitada sobre ele. Se houver conforto, as chances de acordar ao virar na cama diminuem", explica Ravaglia.

Conheça os tipos de colchão

Espuma de poliuretano É feito de espuma e tem opções de densidade e altura conforme o biótipo da pessoa (veja tabela);

No caso de casal, deve-se optar pela densidade do cônjuge de maior peso;

Custa menos que o de molas;

Dura cerca de cinco anos.
Mola do tipo Bonnel São molas de aço entrelaçadas e cobertas por uma fina camada de espuma;

As mais modernas, de aço carbono, são mais silenciosas e resistentes;

É mais indicado para solteiros, porque, quando uma pessoa se mexe num canto do colchão, o outro lado balança;

Suporta até 150 quilos em média (solteiro);

É bem pesado e dura em média 10 anos.
Molas ensacadas As molas de fio de aço e em formato de barril são ensacadas individualmente;

O acionamento das molas funciona de forma individual, mantendo a estabilidade da superfície onde não há pressão;

Costuma ter uma camada extra de espuma sobreposta ao colchão chamada "pillow top" para dar mais conforto;

Suporta até 150 quilos (solteiro);

Dura em média 10 anos;

É mais caro que o Bonnel.
Viscoelástico Esse material não deforma com o peso do corpo;

Trata-se de uma tecnologia desenvolvida na década de 1960 pela Nasa para revestir os assentos dos foguetes e reduzir o impacto na decolagem;

A espuma tem a capacidade de se moldar aos contornos do corpo, no entanto, é o mais difícil de se adaptar nas primeiras semanas;

Depois desse prazo, ele memoriza o contorno do corpo propiciando muito conforto;

Suporta qualquer peso e altura.
Látex É produzido em material sintético, derivado da borracha;

É bem macio e não esquenta;

Dura em média cinco anos.
Ortopédico Seu suporte é mais duro, porque há uma tábua de madeira entre as camadas de espuma;

Muitos médicos o criticam porque pode prejudicar o conforto da coluna cervical;

Também pode ser mais difícil chegar a um consenso quando se trata de um casal;

Dura em média 10 anos.

Entre tantas opções no mercado, o consenso entre os especialistas é que o colchão ideal é aquele em que a pessoa se sente mais confortável. "O brasileiro prefere o colchão de espuma, mais firme e mais barato de que o de molas", diz José Roberto Hackme, diretor da Americanflex, fabricante de colchões. Hackme diz que o colchão de espuma responde por cerca de 70% do mercado. No entanto, a participação do de mola vem crescendo nos últimos anos. Já na Europa e Estados Unidos, o de mola e o viscoelástico são os mais vendidos. "Não tem melhor, nem pior, é uma questão de gosto", avalia.

Dicas na hora da compra

Na hora H, não tenha pressa. Dê preferência às chamadas "sleep stores" que são lojas com vendedores especializados que podem dar mais informações sobre os produtos. "O maior erro é colocar a mão ou sentar num colchão para testá-lo. É preciso deitar e permanecer por cerca de cinco minutos no mínimo na mesma posição que está acostumado a dormir. Antes de deitar, escolha um travesseiro, sem ele não há conforto. Perceba se o corpo está todo acomodado, principalmente no quadril e ombros", ensina Ricardo Vogler, tecnólogo do sono.
Se o colchão for de casal, os dois devem provar o colchão juntos. A adaptação ao novo colchão e travesseiro pode levar até 30 dias e estudos mostram que a média de é de três semanas para se acostumar. 

Preocupação com o meio ambiente

Os grandes fabricantes estão investindo em matérias-primas renováveis e substâncias naturais para contribuir com a preservação do meio ambiente. Na fabricação dos colchões ecologicamente corretos são utilizados elementos como polióis vegetais derivados da soja, que reduzem a utilização do petróleo na fabricação das espumas.

Da mesma forma, já estão sendo utilizados tecidos de fibras naturais e biodegradáveis para revestir os colchões. Fibras de bambu, eucalipto e algodão 100% orgânico, além de elementos extraídos do aloé vera, camomila e jojoba são as principais opções. Segundo a indústria, esses tecidos são termoreguladores, ou seja, proporcionam frescor na medida certa.

Muitos também têm revestimento de tecido antimicrobiano com íons de prata que matam fungos e bactérias e ajudam a melhorar o sono de quem sofre com alergias respiratórias.

Cama box

As camas do tipo box têm uma superfície inferior de madeira revestida de tecido. São produzidas em quatro medidas: solteiro (0,88 m por 1,88 m), casal (1,38 m por 1,88 m), "queen" (1,58 m por 1,98 m) e "king" (1,93 m por 2,03 m). Porém, na falta de uma regulamentação precisa, tamanhos e modelos podem variar. Por isso os especialistas recomendam que o colchão seja comprado primeiro para garantir o conforto, seja na cama "box" ou na convencional.

No caso da box, é possível adquirir base e colchão separadamente. Se seu colchão estiver em bom uso, é só comprar a parte de baixo. Existe também a cama box conjugada: um colchão fixado na base, formando uma peça única. Custa menos que as tradicionais, mas tem a desvantagem de não permitir a troca do colchão quando ele se desgasta. Além disso, não se adapta a protetores e roupas de cama comuns, é preciso comprá-los sob medida.



Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos