Casa de campo é reformada pelos próprios donos e ganha ares luminosos e funcionais

Joyce Wadler
Do The New York Times, em New Milford, Connecticut

New Milford, Connecticut - No setor imobiliário, como em creches, "feio" é uma palavra proibida. Mas ao se falar da casa que Donald Billinkoff, um arquiteto de Nova York, encontrou aqui [em New Milford] dois anos atrás, a expressão era exata. A fachada da casa moderna de meados do século 20 era revestida por monótonos tijolos brancos e argamassa, as janelas com vista para a entrada de automóveis eram altas e pequenas, o gramado parecia desprezado e abandonado.

Casa de campo nos EUA tem beleza resgatada em reforma
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Dentro, quatro diminutos quartos foram alinhados à moda "motel", atrás de um corredor estreito iluminado com luzes fluorescentes. A chaminé de tijolos brancos coberta com telhas marrom escuras era o suficiente, por si só, para fazer o potencial comprador fugir. E, embora a casa ficasse no topo de uma colina em um terreno de dois hectares, o solo estava quase completamente coberto pela vegetação.

O melhor corretor de Billinkoff poderia dizer, ao descrever a propriedade "eu sei que você quer um projeto" e "a casa tem um vista linda, embora na verdade não dê pra ver ". Mas Billinkoff, 61, que dirige um escritório de arquitetura em Manhattan, não vacilou. Embora a morada apresentasse desafios, o layout – com os quartos em uma extremidade, a cozinha em outra e um living com vista para o Hills Kent - era bom. E o arquiteto admirava os janelões do chão ao teto, na parte de trás da construção (uma das vistas da casa, pelo menos, era brilhante).

A compra

Então, Billinkoff comprou a casa por US$ 400 mil (cerca de R$ 728 mil) e gastou outros US$ 400 mil na reforma, eliminando paredes, acrescentando  amplas janelas na fachada da frente e envolvendo notoriamente a lareira em blocos de concreto para dar-lhe um aspecto rugoso, um novo acabamento.

O pátio da frente foi ajardinado e as árvores que asfixiavam o quintal foram podadas. Billinkoff, cumprimentando recentemente um visitante e vestindo jeans, camisa xadrez e tênis verde neon, estava orgulhoso em dizer que comprou sua primeira motosserra. O arquiteto não fez grandes modificações na planta da casa, além de adicionar uma varanda de pouco mais de 60 m², porém a casa agora é luminosa e acolhedora.

Ainda assim, há que se perguntar, não teria sido mais fácil e barato derrubar a estrutura e começar tudo do zero? "Não", diz Billinkoff. "Esta casa foi muito bem construída e isso é algo que me enreda  em respeito à tentativa de recuperar estas casas. Pense em quantas casas há como esta, onde você entrar e sente o cheiro de mofo e vê a deterioração. Este é o parque habitacional deste país. A ideia de que você pode fazer destas casas algo cheio de vida e de aparência jovem é interessante. "

  • Bruce Buck/ The New York Times

    A casa em Connecticut (EUA) teve luminosidade e ventilação privilegiadas após reforma em 2010

O comprador e sua morada

Billinkoff é um cara descontraído, há muito tempo casado com Sharon Lewin, uma especialista em doenças infecciosas.  O arquiteto admite descrever o edifício como "incrivelmente miesiano" (como uma derivação do nome do arquiteto alemão Mies van der Rohe), mas – apesar de exaltar a racionalidade e funcionalidade do espaço -  Billinkoff dá um lugar de destaque na sua sala de jantar à coleção de xícaras antigas que sua mãe tinha quando ele era uma criança crescendo no Canadá .

O trabalho de renovação começou em outubro de 2010 e durou sete meses. Paredes foram eliminadas na, então, entrada escura e a monotonia linear dos pequenos quartos foi erradicada pela transformação de um em escritório e, de outro, em um estúdio para descanso e trabalho, bem como pela instalação de portas de correr de modo que as partes dianteira e traseira dos quartos agora se abrem para a luz.

Billinkoff e sua esposa têm três filhos, o mais novo na faculdade, e quando eles alugaram um apartamento de um quarto em Manhattan, consideram esta sua residência principal. Para os pais, a atitude dos filhos significava que precisavam de muito espaço para as visitas da família. Assim, o estúdio funciona também como um quarto de hóspedes e outro dormitório foi adicionado no porão, mantendo o número original de quartos da casa, quatro.

Reforma grande, custos pensados

Embora fosse uma extensa reforma, o orçamento foi usado de forma consciente. A construção da varanda, que custou cerca de US$ 60 mil, foi o item mais caro. Billinkoff projetou a maioria dos móveis, incluindo a mesa de jantar em mogno com base de aço inoxidável e que custou cerca de US$ 2 mil.

As mesas de madeira compensada e laminada no escritório e os armários do quarto principal foram feitos a partir de uma velha porta e de gavetas resgatadas de uma casa que o casal anteriormente possuía, na Pensilvânia. O arquiteto também projetou a engenhosa divisória que faz as vezes de cabeceira e limita os espaços entre o closet e o quarto principal.

Por fim, o  suporte para as simples cortinas de algodão nas duas casas de banho é outro exemplo de seu estilo inovador de design. Também foi um dos itens menos caros da decoração: para pendurar os tecidos, Billinkoff usou ganchos e varões empregados nos hospitais. Custo total: 126,73 dólares.

Tradutor: Daiana Dalfito

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