Designs atuais que podem se tornar clássicos em 2050: veja quais são as peças candidatas
Julie Lasky
Do The New York Times, em Nova York (EUA)
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Divulgação/ The New York Times
Cadeira One desenvolvida pelo designer Konstantin Grcic para a Magis em 2004: candidata a ícone
Criada por Philippe Starck em 2002 - e com certa inspiração no século 18 -, a cadeira Louis Ghost faz uma homenagem ao estilo barroco francês. A peça tem um encosto oval e braços angulosos – muito chiques para um móvel de plástico transparente.
Louis Ghost e outros designs que podem se tornar clássicos
Veja Álbum de fotos-
Cadeira Corallo" desenvolvida pelos irmãos Humberto e Fernando Campana. Com design inventivo, pode se tornar um ícone?
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Steve Jobs apresenta a primeira versão do iPhone em 2007. Smartphone tem design clássico
Cadeiras icônicas de diversas épocas
Veja Álbum de fotos-
Cortina Until Dawn, de Tord Boontje (2004)
Perto do ano 2000, depois de vários anos de modernismo limpo e abstrato, os ornamentos reapareceram. A cortina de Todd Boontje, "Until Dawn", recortada com imagens descaradamente líricas e silvestres, é feita de Tyvek, o material usado nos envelopes para correio expresso.
Custando US$ 124, a cortina é barata o bastante para achar seu caminho até o coração do público. Até o momento, 50 mil unidades foram vendidas, segundo um representante da Artecnica, a empresa que a produz. A também poética "Garland", de Boontje (de 2002), uma tira de flores de metal que servem para envolver uma lâmpada, já fez dez vezes mais sucesso. Mas com o desaparecimento das lâmpadas incandescentes, a utilidade da Garland está sumindo rapidamente. A "Until Dawn" vai ser útil para sempre.
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Mobiliário Joyn, de Ronan e Erwan Bouroullec (2002)
"Joyn", dos irmãos Bouroullec para Vitra, representa uma revolução silenciosa no mobiliário para escritórios. A divisória em baia é substituída por uma mesa em forma de cavalete; o branco assumiu o posto do marrom. A divisão entre casa e escritório se dissolve com o reconhecimento profético dos designers sobre como a tecnologia vai remoldar os hábitos e o ambiente de trabalho. E a simplicidade e a cordialidade da linha "Joyn" certamente farão bonito no futuro.
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Cadeira Myto, de Konstantin Grcic (2008)
Entre o revival do ornamento no novo milênio e o controle manifestado por um pequeno chip de computador sobre vários itens de consumo, a forma se divorciou da função. O visual de um produto pode não ter nada a ver com o modo como ele funciona. Mais frequentemente no design contemporâneo, a forma segue o material.
A cadeira Myto, criada por Konstantin Grcic para a empresa alemã Plank, evoluiu dos experimentos do designer com um novo tipo de plástico que permitia uma vasta gama de espessuras e uma grade de perfurações no assento e no encosto. A característica mais notável é sua "fluidez", disse Grcic, e a cadeira em balanço realmente tem uma dinâmica planadora que deve se manter associada a sua era por muito tempo.
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Chaise-longue Antibodi, de Patricia Urquiola (2006)
Clássicos individuais geralmente provêm de um trabalho mais abrangente. Como os Bouroullec e Konstantin Grcic, Patricia Urquiola se destacou na primeira década do século 21 e está entre os mais formidáveis talentos no design surgidos recentemente. Qualquer peça sobrevivente a este período, provavelmente, vai incluir objetos destes quatro designers. Mas do quarteto, Urquiola tem o toque mais acessível, especialmente quando falamos em tapeçaria.
Sua relação produtiva com a empresa italiana Moroso resultou em vários designs notáveis, entre eles está "Antibodi" com sua integração entre forma e revestimento e uma silhueta distintamente fraturada. O motivo floral é um símbolo da obsessão da década pela natureza, que cresceu conforme as ameaças ao meio ambiente foram se tornando cada vez mais urgentes.
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Cadeira C2, de Patrick Jouin (2004)
Depois de ter descartado aqueles que defenderam a mobília impressa em 3D de Jouin, entro nessa turma. Ao custo de US$ 38 mil, a cadeira C2 é ultrajantemente cara e é produzida com um material prototípico e quebradiço, mas esse é o modelo de 2004. Em 2050, qualquer um vai poder imprimir esta cadeira em plástico, em metal, em madeira ou pedra falsas. A forma será histórica, mas a cadeira terá um preço razoável.
Louis Ghost
E a "Louis Ghost", é um clássico ou um fogo-fátuo? Os experts ficaram divididos. Williams, o curador de design inglês, sugeriu que o caráter camaleônico da cadeira lhe traz longevidade. Ela "parece funcionar em muitos tipos de decoração", pondera Williams, "da comercial à doméstica, da vanguardista à conservadora, da cara à barata."
R. Craig Miller, curador de artes e design no Indianapolis Museum of Art, também viu um futuro glorioso para a cadeira. "Quando houve o revival pós-modernista nos anos 2000, Starck foi um dos primeiros a senti-lo e ele traduziu isso na peça", aponta Miller. "Ela se tornou um ícone", conclui.
Antonelli, por outro lado, insistiu que a cadeira foi um produto do consumo consciente dos anos 1990, "independente de quando foi criada". Para ela, o objeto carece do peso conceitual dos produtos verdadeiramente atemporais. "Ela passa a mensagem errada", finaliza.
Mesmo assim, eu acredito que ela vá perdurar. Evocar o passado é um modo de garantir a atemporalidade, porque fazer isso nos traz um sentido tranquilizador de continuidade. E a forte impressão causada pela "Louis Ghost" no início pode muito bem deixar sua marca junto aos consumidores.
Não que a gente precise se afundar na nostalgia. Os inovadores de hoje podem não ter as mesmas oportunidades para criar paradigmas que os mestres de antigamente tinham, mas os padrões para o design contemporâneo permanecem altos. Como nota Jennifer Hudson, editora do "International Design Yearbook" (e outra proponente do iPhone): "não basta mais fazer algo bonito e funcional, ele tem que invocar nossas emoções e usar de tecnologias e materiais de modo engenhoso e criativo, assim como ter o menor impacto possível no meio ambiente."
Qualquer coisa que consiga andar nestes trilhos será um presente para os nossos descendentes.
Tradutor: Erika Brandão e Daiana Dalfito (edição)





