Mensagem para a pessoa errada no MSN? Saiba como contornar esse e outros foras virtuais

Heloísa Noronha
Do UOL, em São Paulo

Ninguém gosta de dar foras. No plano virtual, então, cometer uma gafe pode ser fatal para a continuidade de um namoro, uma amizade ou de um emprego. O mico fica registrado em chats, e-mails, "timelines"... Como ninguém está imune a cometer deslizes, nada melhor do que lançar mão de algumas desculpas –e muitas só servem mesmo para situações típicas da internet– para tentar se livrar das consequências. Algumas são esfarrapadas, sim, mas pelo menos servem para confundir e ganhar tempo. Veja:

Falar mal de uma pessoa para ela mesma
Esse fora é mais comum do que se imagina. E a justificativa é simples: você está com o nome da pessoa na cabeça e acaba clicando no nome dela, em vez de chamar o amigo com quem ia fofocar. Para Alexandre Bortoletto, instrutor da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística (SBPNL), o método mais rudimentar (para não dizer cara de pau) de tentar se retratar é mentir que se referia a um xará. "Mas é claro que isso só funciona se a pessoa tiver um nome comum", diz. Outra artimanha, segundo Alexandre, é tentar confundi-la. Diga algo do tipo: "Como? Eu, falando mal de você? Nem pensar, enlouqueceu? Xi, acho que você está com mania de perseguição". Já a consultora de etiqueta Célia Leão acredita que, como o mal está feito, abra o jogo. "Explique que preferia falar tudo de outro modo, em um melhor momento, mas, já que confessou, na verdade pensa tudo aquilo mesmo", diz. E tenha a dignidade de cortar relações. 

Escrever no MSN da pessoa errada e contar intimidades que ela não deveria saber
Se o contexto for social, menos pior. "Peça desculpas e não tente disfarçar o que houve. E encerre logo a conversa, pois a melhor saída é não aumentar o assunto", declara a especialista Célia Leão. Se o mico aconteceu no âmbito profissional –vamos supor que a mensagem errada foi parar na tela do seu chefe– o teor do texto é que determina o que fazer. Algo muito pessoal –peripécias sexuais do fim de semana, por exemplo– exige não só um pedido de desculpas, como uma explicação de que só estava de papinho no MSN porque concluiu todas as tarefas. A mensagem envolve uma situação profissional? Tenha jogo de cintura. "Vamos supor que o seu chefe pediu segredo sobre uma promoção ou um aumento de salário. Mal você sai da sala e já corre para o computador para contar tudo para o colega da mesa ao lado, e clica sem querer no nome do seu chefe. O próprio entusiasmo já serve como uma boa justificativa para a trapalhada, mas peça desculpas e se comprometa a tomar mais cuidado", explica Célia Leão. Em outras situações, vale conversar com o chefe e avisar que nunca mais vai acontecer nada parecido. "Mas essa conversa deve ser pessoal. Nada de usar o MSN para resolver uma falha profissional que pode ter proporções sérias", diz Maria Aparecida Araújo, especialista em etiqueta empresarial.

Copiar pessoas que não deveriam ler um e-mail
Assim que perceber que cometeu tal equívoco, mande outro e-mail se retratando. Ou mande um e-mail com o assunto "vale esse" para a mesma lista de pessoas, falando de outra coisa, para disfarçar. Não finja que nada aconteceu. Melhor admitir que errou do que correr o risco de ver convidados indesejáveis na sua festa, por exemplo. Se a mensagem continha uma fofoca quentíssima, sobre você ou sobre alguém conhecido pela turma, faça de conta que era uma pegadinha e que estava só testando a curiosidade (e a maledicência) alheia. "Levar tudo como se fosse uma brincadeira é uma boa saída", declara Alexandre Bortoletto. E, nas próximas vezes, pense e releia antes de postar.

Confundir-se nas redes sociais e, ao tentar mandar uma mensagem particular, escrever algo íntimo no mural de alguém
Na opinião de Alexandre Bortoletto, instrutor da SBPNL, a melhor saída é negar até o fim. Para o estratagema ficar mais verossímil, vale fingir que se sente ofendido. "Afirme que não escreveu nada e questione: ‘Como você é capaz de desconfiar assim de mim?’ Se a pessoa insistir que a mensagem está lá, para todo mundo ver, argumente que no seu computador não aparece nada", explica. O teatro fica ainda mais convincente se você simular desespero ao se dar conta de que foi vítima de hackers. Para fechar com chave de ouro, finja desespero com a (falsa) possibilidade de suas fotos ao estilo Carolina Dieckmann caírem na rede. A outra pessoa vai ficar tão chocada (ou curiosa) que vai esquecer o ocorrido. Para quem prefere assumir a gafe cometida, um modo de obter o perdão alheio é investir nas conjunções adversativas –mas, porém, entretanto, contudo, todavia... "Primeiro admita que errou, depois use a conjunção para jogar a responsabilidade para a outra pessoa", conta Bortoletto. Assim: "Eu sei que cometi a maior indiscrição, mas leve em consideração que estou atravessando um momento muito estressante" ou "Dei um fora, no entanto te mandei uma mensagem particular linda, você viu?”.

Colar sem querer o trecho de uma conversa em algum chat para a própria pessoa, dando a entender que pretendia guardar ou mostrar o que ela disse para alguém
Para os especialistas, se o teor da conversa for profissional, não há mal nenhum. Além de ser uma forma de formalizar o bate-papo e se precaver contra prováveis mal-entendidos futuros, demonstra seriedade e respeito com o relacionamento. Em se tratando de assuntos pessoais, a questão fica um pouco mais delicada, pois há mesmo a impressão de que o conteúdo vai virar fofoca ao ser passado adiante. Uma boa saída é dizer que colou o trecho no próprio e-mail para pensar melhor sobre o tema mais tarde –e assim dar um parecer mais elaborado. Se o trecho não for longo e a situação permitir, diga, na sequência: "Leia bem o que você falou. É isso mesmo o que você pensa?", como se tivesse colado a conversa de propósito para que a pessoa reavaliasse o que disse. 

Contar algo secreto para um amigo no MSN... e perceber que ele abriu um chat coletivo e você não se deu conta
Depois de avaliar se, com um amigo desses, você precisa de inimigos, esfrie a cabeça e tente agir com bom humor, mesmo que algo extremamente cabeludo a seu respeito tenha se tornado público e notório. “Mantenha a classe, acima de tudo, e cumprimente todos”, aconselha a consultora de etiqueta empresarial Maria Aparecida Araújo. Em seguida, dê uma alfinetadinha sutil no colega indiscreto. Algo como: “Todo mundo aqui já sabe que o fulano é meio distraído, mas dessa vez ele se superou, não?”. E encerre com uma piada, dizendo que, se alguém tiver alguma dúvida sobre a fofoca, pode lhe perguntar, sem problemas. Tratar um mico desses com diversão alivia o clima e encerra o assunto sem maiores dramas.

Comentar algo na foto de uma pessoa no Facebook achando que ninguém da sua lista de amigos vai ler
Antes de mais nada, aprenda a lidar direito com o Facebook ou a sua lista de impropérios só tende a aumentar. Todas as ações –curtir algo, fazer uma nova amizade ou responder a pergunta de um amigo– aparecem na timeline, no canto direito da tela, para todos. Não é com o poder da mente que o(a) atual vê que você elogiou a foto do(a) ex na praia, nem um(a) está secretamente no FB do(a) outro(a). Diante de um flagra virtual como esse, o jeito, segundo Maria Aparecida Araújo é assumir. “Não tente se justificar afirmando que não tem nada a ver, que foi um simples comentário, nem subestime os sentimentos alheios. Explique que analisou a situação e que realmente não foi de bom tom fazer tal elogio, pois dá margem a duplas interpretações”, conta a especialista. Se não funcionar, vale apelar para a tática do “meu computador foi hackeado” e negar sempre, claro, até que se prove o contrário.

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