Lactante deve evitar álcool e excesso de café; saiba como deve ser a alimentação

Rafael Roncato
Do UOL, em São Paulo

É natural que todas as mães, principalmente as de primeira viagem, fiquem preocupadas com a própria alimentação durante o período de aleitamento. A dúvida é sempre a mesma: o que a lactante pode comer? A resposta é simples: coma de tudo, de maneira saudável. De acordo com a nutricionista Macarena Urrestarazu Devincenzi, professora do curso de nutrição da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a alimentação adequada é importante para garantir a saúde da mulher e a produção de leite materno em quantidade e qualidade suficientes para o crescimento e desenvolvimento do bebê.

Cólica tem relação com alimentação da mãe?

A cólica está ligada à imaturidade do aparelho digestivo do bebê e é uma resposta natural da adaptação do corpo da criança. “O aparelho digestivo do bebê nunca recebeu comida e está aprendendo a digerir esses alimentos”, diz o pediatra Vanderlei Wilson Szauter, do Hospital e Maternidade São Cristóvão. Não há comprovação científica de que os alimentos ingeridos pela mãe possam influenciar de alguma forma na maior intensidade de cólicas.

 

Mito ou não, especialistas dizem que a melhor forma de eliminar ou diminuir as cólicas é a observação. “Depende da interação entre mãe e filho. É algo construído: a mãe vai descobrindo aos poucos o que causa a cólica no bebê”, diz a pediatra Lélia Gouvêa. Para Szauter, a melhora ou piora da cólica não é uma ciência exata.

 

Os pediatras aconselham um pequeno teste com a criança após notar a cólica: pense no que você comeu nas últimas horas e experimente eliminar esse alimento da sua dieta por alguns dias para ver se melhora. O caminho contrário também deve ser experimentado: coma novamente o alimento para ver a reação do bebê. “O chocolate é um dos maiores fatores da cólica, assim como frutas muito ácidas, que também acabam amolecendo as fezes”, afirma Szauter. Segundo o pediatra, refrigerantes, doces e excesso de açúcar também podem contribuir para o mal-estar do bebê.

“Não há evidências suficientes para justificar qualquer restrição de alimentos na dieta materna durante o processo de amamentação”, diz Macarena. Para a pediatra Lélia Cardamone Gouvêa, nesse período é recomendável que a mãe continue com a dieta que manteve durante toda a gestação. “Quando está amamentando, a mulher deve pensar em ter uma alimentação bastante saudável e apenas deixar o que realmente fará mal ao organismo”, diz.

Coma o que te faz bem
O leite materno é altamente influenciado por tudo que a mãe ingere e, consequentemente, será metabolizado por seu organismo. Segundo a pediatra Lélia, alguns alimentos e medicamentos podem passar para o leite em questão de horas. “A alimentação da lactante deve ser variada, com a presença de todos os grupos alimentares”, diz a nutricionista Macarena. Para isso, há uma longa lista de alimentos essenciais para o corpo da mãe: cereais integrais, feijões, frutas, legumes e verduras, leite e derivados, carnes magras, aves ou peixes. Tudo deve fazer parte das três refeições diárias e dos lanches intercalados -no meio da manhã, meio da tarde e antes de dormir.

Para a pediatra Lélia Gouvêa, não há regras na hora da alimentação, posto que a dieta deve ser adaptada para cada mulher e suas necessidades nutricionais. “O que deve haver é bom senso”, afirma Lélia. Durante o período de amamentação, a mãe deve ter maior necessidade de calorias para a produção de leite. A nutricionista Macarena Devincenzi ressalta a importância do consumo de alimentos ricos em vitamina A e do complexo B. “É necessário o consumo diário de alimentos que sejam fonte desses nutrientes, como os de origem animal (carnes, leite e derivados e ovos) e vegetal (alimentos alaranjados ricos em carotenoides, como a cenoura)”, diz. A mulher também pode sentir mais sede que o comum, por isso é recomendável o consumo diário de três litros de água.

Melhor evitar
Mesmo incentivada a comer de tudo para suprir as carências nutricionais, a mãe deve ficar atenta ao que pode fazer mal a ela e, em consequência, ao bebê. Durante o período de lactação, o consumo de álcool deve ser evitado. “Os efeitos negativos da presença de álcool no leite materno podem incluir alteração do sono e do desenvolvimento motor do bebê”, diz Macarena. A cafeína também merece cuidado. O consumo moderado de café ou de alimentos que contenham cafeína na composição não tem efeitos adversos diretos no leite, mas não é aconselhável consumir mais do que duas xícaras por dia. “O consumo de café tende a reduzir a biodisponibilidade do ferro, aumentando o risco de anemia tanto na mãe quanto no bebê”, diz a pediatra Lélia Gouvêa.

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