Vegetarianas podem manter dieta durante a gravidez, mas precisam equilibrar a alimentação

Ivonete Lucirio
Do UOL, em São Paulo

Não dá para dizer que as proteínas vegetais não deixam nada a dever às animais. “Há diferenças importantes no que diz respeito à concentração de aminoácidos essenciais. As proteínas animais contêm os nove aminoácidos necessários para o crescimento e o desenvolvimento da criança. Já as de origem vegetal são deficientes em um ou outro”, diz a nutricionista Ana Lucia Potenza, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Mas isso não significa que a gestante vegetariana tenha de abandonar esse hábito alimentar. “Desde que bem planejadas, dietas vegetarianas são adequadas em qualquer ciclo da vida, incluindo gravidez, lactação, infância e adolescência”, afirma ela.

Mas talvez seja necessário fazer algumas adaptações. De acordo com a nutricionista Inty Davidson, que tem especialização em nutrição materno-infantil pela Escola Paulista de Medicina, as gestantes que não consomem tipo algum de proteína animal demandam maior cuidado para não desenvolver deficiência, principalmente, de vitaminas B2 e B12 (importantes para a formação do sistema nervoso do bebê), cálcio e zinco. “Recomendo intensificar o uso de proteínas vegetais como feijões, soja, ervilha e lentilha, sempre acompanhados por uma fonte de vitamina C”, diz Inty.

Usar óleo de linhaça e levedo de cerveja --para garantir maior oferta de vitaminas do complexo B--, leite de soja e tofu --para aumentar o aporte de cálcio-- também ajudam a manter uma alimentação equilibrada. As mulheres que não consomem leite, seja por intolerância à lactose ou por opção, devem ficar atentas aos níveis de cálcio. Para garantir uma boa cota, há os leites vegetais fortificados com o mineral. É indicado também um aumento no consumo de couve, agrião, escarola, rúcula, brócolis e mostarda.

Complementos desejáveis

A quantidade de ferro ingerida deve ser uma preocupação de qualquer gestante, e é mais importante ainda para as vegetarianas. Para seu crescimento, o bebê precisa de uma quantidade enorme desse mineral, que é retirado do organismo da mãe. A demanda por ferro passa de 0,8 para 6,3 microgramas por dia, no mínimo. “Qualquer mulher que não receba suplementação terá seu estoque exaurido, independentemente de comer carne ou não”, diz o médico Eric Slywitch, mestre em nutrição e diretor do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira.

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“Os suplementos de ferro disponíveis no mercado contêm entre 30 mg e 60 mg do mineral. Isso equivale a consumir 1,5 kg a 3 kg de filé mignon por dia”, completa. Difícil até para as carnívoras mais inveteradas. Outros suplementos, além do ferro, também podem ser indicados, como de vitamina B12 (o médico deve indicar a suplementação). Estudos mostram que 50% das brasileiras que comem carne têm deficiência dessa vitamina. O mesmo acontece com 60% das vegetarianas. “Durante toda a gestação, a mulher, principalmente a vegetariana, deve monitorar os níveis sanguíneos de minerais, hemoglobina e proteínas. Sempre que for identificada a carência, é indicado o uso de um suplemento”, diz Inty Davidson.

É bom para a mãe e o bebê?

Não há vantagens específicas durante a gravidez, mas o vegetarianismo pode trazer benefícios para qualquer pessoa, e isso se estende às gestantes. “Vegetarianos, de modo geral, consomem menos gordura, principalmente as saturadas. E costumam, também, ingerir mais alimentos saudáveis, como grãos, cereais integrais, leites e derivados”, afirma a nutricionista clínica Michelle Trindade, do Instituto de Metabolismo e Nutrição, em São Paulo. Outra vantagem da dieta vegetariana na gestação é a ingestão menor de calorias. Mas não adianta nada deixar de comer carne e abusar de alimentos congelados, ricos em sódio, açúcar refinado ou comidas gordurosas. Em qualquer fase da vida, isso é veneno.

O bebê também pode se beneficiar das dietas vegetarianas. Há trabalhos mostrando que, na gestação, a dieta da mãe tem influência sobre os níveis de gorduras sanguíneas do bebê. Um estudo publicado em 2011 no "Journal of Physiology" comprovou que uma dieta rica em gordura durante a gestação aumenta a chance de a criança vir a desenvolver diabete no futuro. “Portanto, se a mãe consumir menos gordura, a criança por tabela será mais saudável também”, diz Inty Davidson.

Durante a amamentação

Da mesma forma que a gestante vegetariana não precisa passar a comer carne, também é possível manter o hábito durante a lactação sem que isso comprometa a saúde da criança. Só é preciso tomar alguns cuidados. Enquanto está amamentando, os nutrientes do organismo da mãe são, literalmente, sugados pelo bebê. Por isso a dieta na lactação deve ser a mesma da gestação, mas acrescentando-se 500 calorias por dia, que correspondem ao volume de leite produzido. Com relação às proteínas, o acréscimo deve ser de 25 gramas por dia. Os cuidados com o cálcio também devem ser enfatizados, assim como com a vitamina B12. 

Um detalhe é importante: se você tem uma dieta convencional, a gestação e amamentação não são momentos propícios para se tornar vegetariana. Nesse período o organismo já está passando por uma série de modificações que exigem adaptação, e ele não precisa de mais uma novidade.

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