Passar por três cesáreas, como Angélica, pode ser arriscado para a mãe e o bebê

Juliana Zambelo
Do UOL, em São Paulo

A apresentadora Angélica deu à luz seu terceiro filho com Luciano Huck no dia 25 de setembro. Eva nasceu por meio de uma cesárea, da mesma forma que seus dois irmãos mais velhos, Joaquim, 7 anos, e Benício, 4. Mãe e filha passam bem, mas especialistas afirmam que, após duas cesarianas, os riscos de se submeter a esse tipo de parto aumentam para a mulher, embora há quem passe por mais de três cirurgias, como a apresentadora, sem sofrer complicações.

Segundo médicos ouvidos por UOL Gravidez e Filhos, as mulheres podem passar por duas cesáreas ao longo da vida sem que isso implique em riscos a mais para sua saúde ou a de seu bebê. Depois disso, se ela voltar a engravidar, será maior a possibilidade de que ocorram problemas na hora de realizar mais uma cesariana.

De acordo com Maria Rita de Souza Mesquita, diretora da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo), isso acontece porque, após cada operação, o tecido do útero fica mais fino e frágil, o que também contraindica –e nesse caso totalmente– um parto normal. A solução passa a ser uma nova cesárea, que precisa ser monitorada bem de perto pelo obstetra.

Renata Gebara Di Sessa, ginecologista e obstetra do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, explica que uma das consequências possíveis, a partir da terceira cirurgia, é de inserção baixa de placenta ou placenta prévia –quando há fixação da placenta na parte baixa do útero, perto do colo–, o que aumenta as chances de sangramento durante a gravidez. Trata-se de uma ocorrência contornável, se detectada cedo, mas, sem os cuidados adequados, pode causar a morte do bebê.

Entre outros problemas que podem acontecer a partir da terceira cesárea estão uma chance maior de infecções, sangramentos uterinos anormais e desenvolvimento de aderências pélvicas, que podem causar dor crônica na região, dificuldade a evacuação e dor durante a relação sexual. Maria Rita acrescenta que a recuperação do pós-parto também tende a ser mais lenta.

Infográfico mostra os exames que a gestante deve fazer ao longo dos nove meses

 

  • Arte/UOL

"Há ainda maior risco de acretismo placentário, quando a placenta fica tão grudada no útero que pode provocar dificuldade de contração uterina no pós-parto (reação necessária para que o órgão recupere seu tamanho de antes da gestação), aumentando o perigo de sangramento e de morte da mãe", diz Renata.

Os especialistas afirmam, no entanto, que cada gestação tem suas características próprias e é possível passar por mais de duas cesáreas sem problemas, apesar de não ser o indicado. Luís Henrique Silva, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Assunção, da Rede D’Or – São Luís, em São Bernardo do Campo (SP), diz ter realizado, sem complicações, uma cesárea em uma paciente com cinco cirurgias anteriores.

Parto normal deixa de ser opção

Uma mãe que teve seu primeiro filho por cesárea, há mais de dois anos, tem a possibilidade de dar à luz seu segundo bebê por parto normal. Contudo, após duas cesarianas, o parto vaginal não é mais aconselhado.

Apesar dos riscos, a cesariana ainda é a melhor opção nesses casos e o nascimento da criança deve ser agendado para evitar que a mãe chegue a entrar em trabalho de parto.

"Depois de duas cesáreas, é obrigatório que os partos seguintes também sejam assim”, afirma Maria Rita. Luís Henrique explica que, após duas cirurgias, com a parede do útero fragilizada, corre-se um risco muito grande de que as contrações de um parto normal provoquem hemorragias ou mesmo o rompimento do útero na cicatriz.

De acordo com Renata, do hospital Santa Catarina, quanto maior o número de cirurgias no útero, sejam elas cesárea ou outros tipos de operações –como retirada de miomas (tumores sólidos benignos)–, maiores são os riscos. "Assim, devemos sempre ficar atentos e analisar caso a caso", afirma a obstetra.

 

titulo-box Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos