Saiba como escolher e servir champanhe ou espumante no fim do ano
Chegou o fim do ano, e com ele a temporada de festas em que a vedete das bebidas são os champanhes e outros espumantes. Esta coluna é dedicada a eles, sua forma de produção, o que os diferencia, como servir e acompanhado de que. Veja ainda uma seleção de mais de 40 produtos para ajudar a escolher na hora da compra.
FOTOS: MAIS DE 40 CHAMPANHES E ESPUMANTES
Champanhe ou Espumante?
O termo "espumante" é a designação genérica para vinhos com gás resultante de fermentação natural. São chamados de "champanhe" os espumantes provenientes da região de mesmo nome, no nordeste da França. Espumantes produzidos em outro países podem ganhar outras denominações específicas, como a “cava” espanhola, o “sekt” alemão, e o “asti” e o "prosecco" italianos, entre outros.
Métodos de fabricação
São dois os métodos mais utilizados na produção de espumantes, o champenoise (tradicional), empregado na fabricação do champanhe, em que o gás é formado por meio de uma segunda fermentação dentro da própria garrafa, e o método charmat, em que o gás se forma numa segunda fermentação, em tanques de aço inox hermeticamente fechados.
“No geral, a qualidade dos espumantes produzidos pelo método champenoise é maior. As bolhas são menores e mais delicadas, além de mais numerosas e duradouras", explica Susana Jhun, enóloga e professora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi. A grande vantagem dos espumantes produzidos pelo método charmat é o custo mais baixo.
Mas o que diferencia o champanhe dos outros espumantes também produzidos pelo mesmo método? A resposta está numa palavra francesa muito recorrente no mundo do vinho: o “terroir” (diz-se "terroá"), ou local de proveniência. Devido ao clima frio e ao solo formado por um depósito à base de greda (espécie de solo calcário), o vinho espumante de Champanhe possui uma alta acidez, o que permite, segundo especialistas, um maior equilíbrio além de uma complexidade aromática mais elevada.
Tipos de uvas
Em Champagne são permitidas três cepas de uvas: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. Como lá é produzido o espumante referência no mercado, muitos produtores no resto do mundo tentam seguir este padrão de mistura (assemblage), principalmente das duas primeiras dessas cepas.
Como servir
O ideal é que tanto o champanhe como outros espumantes sejam servidos gelados. A média de temperatura recomendada é de 8º C. A taça ideal é a "flûte" ("flauta"), de forma fina e alongada, pois preserva melhor o gás. Segundo Jhun, mesmo em ocasiões festivas e brindes “não se recomenda o estouro da rolha, o que ocasiona a perda de gás e consequentemente a diminuição do número de bolhas”.
A enóloga avalia que espumantes podem acompanhar todas as etapas de uma refeição completa: aperitivos, entrada, prato principal e sobremesa. Champanhes e espumantes tipo "brut" vão bem com aperitivos, entradas e pratos principais mais leves. "Já para pratos principais mais densos, o melhor são os champanhes especiais como millésimes ou cuvées de prestige, que são mais complexos e encorpados", ela indica. Sobremesas vão bem com os espumantes "demi-sec", já que para acompanhar doces vale a recomendação de servir um vinho mais doce que o da refeição.
O espumante pode ser considerado um coringa em harmonizações, pois as bolhas, segundo Jhun, têm o poder de limpar o paladar e facilitar a degustação e a combinação de diferentes comidas.
Rótulos
A principal informação a ser observada no rótulo de um espumante é se o método de fabricação, ou vinificação, adotado pelo produtor. No Brasil e em diversos países esse dado é obrigatório nos rótulos. No caso do champanhe, devido à regra principal da região, sabe-se de antemão que o método é o champenoise.
Além dos champanhes, há também outros outros espumantes tradicionalíssimos e de grande qualidade, como os espumantes de Franciacorta, região ao norte da Itália (Lombardia), e de Alsacia, norte da França (fronteira com Alemanha). E numa faixa de preços mais acessível, há também os espumantes feitos pelo método charmat.
“Caso a opção seja por um espumante especial, recomenda-se um champanhe 'millésime' ou 'cuvée de prestige', sempre com identificação de safra. Mas, se o desejo é não gastar muito, existem espumantes feitos fora da Europa, pelo método charmat, com bom preço e qualidade, principalmente no Brasil”, concluiu Susana Jhun.
Colaborou com a coluna Paula Baraldi
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