Saiba quais são os cuidados e riscos de se fazer uma tatuagem

Ter tatuagem está na moda. Se por muito tempo foi considerada marginal, hoje ela tem adeptos e fãs espalhados pelo mundo inteiro, incluindo celebridades como astros de cinema, jogadores de futebol e roqueiros.

Trazida para o Ocidente no século 18 pelos marinheiros que voltavam da Polinésia com o corpo permanentemente desenhado, reproduzindo o costume local, a "tattoo" seduziu, no século 21, até o mercado de luxo. Ainda que temporárias, as tatuagens lançadas pela Chanel no último inverno europeu viraram febre num círculo de bem-nascidas e garotas de classe média alta (o preço era acessível perto de qualquer modelito da marca: cerca de 80 dólares).

“A tatuagem chega ao novo milênio não apenas como sinal distintivo de grupos marginais ou minorias étnicas, mas também como símbolo de rebeldia, moda e estilo. Hoje une gerações: rebeldes ou conservadores, jovens ou velhos, pais ou filhos, os tatuados trazem para o próprio corpo novas possibilidades de beleza, de afirmação e de integração social. Se poucas décadas atrás uma tatuagem era também um estigma estampado na pele, hoje ela está irremediavelmente associada à beleza e ao prazer”, acredita Leusa Araujo, autora do livro “Tatuagem, piercing e outras mensagens do corpo”, editado pela Cosac Naify em 2006.


Há, portanto, muita gente querendo uma tatuagem para chamar de sua. Mas, antes de se decidir, vale a pena ler o que alguns tatuadores profissionais têm a dizer e quais os riscos e cuidados que devem ser observados.

  • Divulgação

    Tatuagem tribal no peito feita por Maria Fernanda Brum, do True Love Tattoo

“Atualmente, muitas pessoas chegam melhor preparadas para fazer uma tatuagem. Já pesquisaram, sabem mais sobre os processos e escolas. Antes, a gente fazia um monte de desenhos pequenos e soltos. Temos muitos clientes que estão querendo tatuagens maiores e com temas bem definidos, dispostos a fazerem braços (mangas), costas e até tronco inteiro (body tattoo)”, afirma Arthur de Camargo do True Love Tattoo.

Pesquisar muito, falar com quem já fez tatuagens, buscar referências, ver trabalhos de diferentes profissionais, procurar desenhos com os quais se identifica, segundo tatuadores profissionais, são apenas os primeiros passos de um caminho que não deve ser percorrido muito rápido, porque depois de feita, os processos de reversão ou remoção de um desenho nem sempre atingem bons resultados.

  • Reuters

    O jogador de futebol El Loco Abreu, da seleção do Uruguai, é um dos com várias tatuagens espalhadas pelo braço

“Procure um tatuador de quem você conheça os trabalhos. Se você não conhece os trabalhos,  procure informações sobre ele. Vá ate a loja e converse com ele, deixe-o dar o ponto de vista dele sobre a sua idéia, veja as fotos do trabalho, e se possível não leve referências de desenhos tatuados em outras pessoas. Dê espaço para que o tatuador possa trabalhar o que quer e fazer um desenho que você curta e que não se arrependa no futuro”, diz Bits Pinel, do PMA Tattoo Studio.

Já Hercoly Rocha, do Atomic Tattoo, aconselha que as pessoas pesquisem suas próprias referências gráficas, dentro do seu universo de cores e formas, e as traga para o tatuador para que sirvam de referência para um primeiro estudo.

Existem tatuadores que fazem estudos em papel e depois transferem o desenho para a pele e outros que o fazem diretamente sobre o corpo. Nesta hora é que você vai ter a primeira impressão de como vai ficar a tatuagem. Se tiver alguma dúvida, não tenha pressa na decisão. Evite fazer por impulso e por pressão de seu grupo.

“Um bom profissional vai te orientar quanto à escolha, tamanho, lugar correto no corpo (estética). Peça um estudo e com certeza terá algo exclusivo”, acredita Maria Fernanda Brum, do True Love Tattoo. Além disso, tem a saúde que deve ser levada em conta. Higiene é a palavra-chave quando for procurar um estúdio de tatuagem. Veja se ele tem alvará da Vigilância Sanitária em dia, se o material utilizado é descartável ou é esterilizado em auto-clave, equipamento que é capaz de eliminar o vírus da Hepatite C, ou seja, o mais resistente de todos os vírus, inclusive que o da AIDS. O tatuador deve usar luvas e máscaras cirúrgicas e ter lixo séptico para material com resíduo de sangue.

Em 2008, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou uma norma para aparelhos, agulhas, acessórios e tintas usadas em tatuagens. A norma RDC 55/08 controla as matérias-primas de agulhas e pigmentos e tornou possível conhecer a forma de apresentação, quantidade e composição destas tintas e disciplinar a forma de utilização, distribuição e armazenamento dos produtos por parte dos fabricantes.

Saiba também que depois de feita a tattoo, tem um período de 10 a 15 dias de cicatrização que precisa de todo o cuidado. Alguns tatuadores recomendam o uso de filme plástico nos três primeiros dias, para evitar que a tinta excedente manche e que a pele recém machucada entre em contato com outras substâncias. Mas isso não é consenso.

“Os cuidados básicos são: lavar a tatuagem com sabão neutro e água fria, enquanto ela não cicatriza. Na hora de secá-la, não precisa esfregar o local, apenas encostar a toalha suavemente para que a água seja absorvida. Não pode coçar a tatuagem, nem arrancar a casquinha que irá se formar no período de cicatrização. Nos primeiros dias é bom evitar sol, sauna, banho de mar ou piscina”, recomenda o dermatologista Agnaldo Mirandez.

Não pense que os cuidados terminam por aqui. O maior inimigo da sua tatuagem é o sol, portanto evitar a exposição solar nos 30 dias seguintes e usar filtro solar com FPS 45 ou 60 durante três meses são importantes para a fixação da cor e para o sucesso dos cuidados que devemos ter, de acordo com o dermatologista Marcelo Bellini.

Colaborou nesta coluna Paula Baraldi

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