Saiba como foram escolhidas as cores do inverno e aprenda a usá-las

Ricardo Oliveros
Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Uma maneira de combinar a cor vermelha é usar camisa xadrez com calça lisa, que é uma opção para a tradicional combinação com calça jeans

    Uma maneira de combinar a cor vermelha é usar camisa xadrez com calça lisa, que é uma opção para a tradicional combinação com calça jeans

Você sabia que as cores que você vai usar no inverno foram decididas há dois anos, por escritórios especializados em descobrir quais os desejos dos consumidores, antes mesmo deles imaginarem que queriam usar isso ou aquilo? Na coluna Hora H desta semana, você conhece como é feito este trabalho, conhece as tendências de cores que se confirmaram para a estação mais fria do ano e, é claro, aprende a usá-las. 

Na década de 1990, a moda passou por uma transformação radical. O estilo não era mais ditado pelas marcas, mas pelo que as pessoas estavam usando nas ruas. O historiador inglês Ted Polhemus denominou este fato como “supermercado de estilos”, ou seja, você poderia escolher seu próprio estilo, como se escolhesse uma lata de sopa numa prateleira de supermercado. Isso trouxe uma liberdade maior de escolhas, mas também o desafio para o mercado de acertar o que vai estar em alta na próxima estação e minimizar os possíveis prejuízos de uma coleção de roupas encalhadas por não traduzirem os desejos do consumidor. 
 
Foi neste período que surgiram os “cool hunters”, algo como “caçadores de tendências”, que se especializaram em buscar no presente sinais de comportamento e atitudes que ganharão as ruas no futuro, orientando a criação de produtos de consumo.  Eles trabalham em escritórios, como o WGSN, que presta serviço de pesquisa online, análise de tendências e notícias para as indústrias da moda e estilo. 
 
“A cada seis meses, nosso time se reúne para pensar as macrotendências que vão reger as próximas estações. Nesses encontros, fazemos um ‘brainstorm´ (tempestade de ideias, em inglês) com o que cada um tem visto em sua região e conectamos os pontos. Somos estimulados por pesquisas visuais e de dados e conseguimos chegar a três macrotemas que vão guiar o comportamento do consumidor nos próximos dois anos. Daí, saem os temas, cores e materiais que vamos utilizar em determinada estação”, explica Carolina Althaller, relações públicas do WGSN no Brasil. Para se ter uma ideia do calendário da empresa, em dezembro de 2011 foram lançadas as macrotendências para o inverno de 2014 no país. 
 
Para o outono/inverno de 2012, o grande tema trabalhado foi “O triunfo da beleza”.  De acordo com Carolina, depois dos momentos econômicos difíceis por que o mundo passou, vive-se um "novo começo", com consumidores mais exigentes em relação aos produtos. Eles querem peças que aliem excelente design, tenham uma tecnologia inspiradora e que, de alguma forma, melhorem suas vidas. “Cabe à indústria criativa reconhecer essa mudança de pensamento e explorar a noção de beleza que equilibra íntimo e visionário, decorativo e funcional, para este novo recomeço”, disse ela. 
 
Apesar de tudo isso parecer abstrato demais para o consumidor final do s produtos de moda, foi a partir destes conceitos que a indústria criativa começou sua produção para o próximo inverno. Uma cena do filme “O Diabo Veste Prada” (2002) ajuda a entender este complexo processo: a editora de moda Miranda Priestly (Meryl Streep) está escolhendo entre dois cintos azuis, quando escuta uma risada de sua nova assistente Andy (Anne Hathaway), que não entendia a diferença entre as peças. O comentário da editora é uma aula sobre o assunto.
 
“Você acha que isso não tem nada a ver com você. Você abre o seu guarda-roupa e pega, sei lá, um suéter azul todo embolado, porque você está tentando dizer ao mundo que você é séria demais para se preocupar com o que vestir. Mas o que você não sabe é que esse suéter não é somente azul. Não é turquesa. É “sirilio”. E você também é cega para o fato de que em 2002, Oscar de La Renta fez uma coleção com vestidos somente nesse tom. (...) E o sirilio começou a aparecer nas coleções de muitos estilistas. E logo chegou às lojas de departamentos. (...) E foi assim que chegou a você. E sem dúvida esse azul representa milhões de dólares em incontáveis empregos. E é meio engraçado como você acha que fez uma escolha que te exclui da indústria da moda, quando, na verdade, você está usando um suéter que foi selecionado para você pelas pessoas nesta sala entre uma pilha de coisas”.
 
Então, lembre-se que o que parece ser um gosto exclusivamente pessoal, como escolher entre uma camisa azul ou outra cinza, na verdade, é uma construção muito sofisticada que envolve pesquisa e movimenta um mercado no mundo de mais de um bilhão de dólares por ano. 


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