Modelos investem em carreiras paralelas longe do mundo fashion

Adriana Terra
Do UOL, em São Paulo

  • Junior Lago/UOL

    A top Ana Claudia Michels está no segundo semestre da faculdade de medicina, sonho que tinha desde pequena

    A top Ana Claudia Michels está no segundo semestre da faculdade de medicina, sonho que tinha desde pequena

A catarinense Ana Claudia Michels desde criança pensava em ser médica. Com a oportunidade de ser modelo surgida na adolescência, esse plano ficou parado por 15 anos, período no qual o trabalho nas passarelas deslanchou: Ana estrelou campanhas de grifes importantes, desfilou nas principais semanas de moda, posou para fotógrafos internacionais como David LaChapelle e Mario Testino.

Em 2011, aos 29 anos e com uma carreira estabelecida, a top model decidiu desacelerar um pouquinho e correr atrás do antigo sonho, preparando-se para o vestibular de medicina. "Fiz seis meses de cursinho intensivo, não passei, daí eu pensei: 'quero passar, entrei nisso e agora quero passar'. Resolvi fazer mais um ano e aí eu realmente levei a sério, estudei, fui focada", diz Ana. 

O processo de voltar a estudar não foi fácil. "A aula ia até meio dia, meio dia e meio, e eu ficava a tarde inteira com os colegas estudando, porque eles tinham de me explicar tudo de novo porque eu não sabia quase nada. Eu fiz segundo grau de supletivo, então a maioria das matérias eu nem tive", conta.

No fim de 2012, o esforço compensou e a modelo foi aprovada por uma faculdade paulistana, onde cursa o segundo semestre de medicina. "Já estou até com gastrite só de pensar na volta às aulas", brincou Ana em seu último dia de férias de julho, quando conversou com o UOL.

O ritmo do curso, segundo a modelo, tem sido puxado, o que provocou alterações em sua agenda profissional. Nos últimos seis meses, Ana tem preferido deixar os trabalhos como modelo para os fins de semana, embora isso não seja uma regra. "Não quero me desligar da minha profissão, porque gosto muito, eu aprendi muito, a maioria dos meus amigos é da moda. Então eu vou avaliando [o que priorizar], cada caso é um caso", diz ela, que não desfilou no último São Paulo Fashion Week por conta da semana de provas na faculdade.

  • Leandro Moraes/UOL

    O modelo Alex Schultz foi um dos principais nomes brasileiros entre os modelos masculinos com projeção no exterior. Hoje, investe na carreira de piloto e concorre em competições de motovelocidade

"Dose de vida"

É segunda-feira à tarde na capital paulista. O modelo e piloto Alex Schultz termina mais uma bateria de treino em Interlagos, onde se prepara para uma etapa do campeonato de motociclismo que disputa dali algumas semanas. Exausto após vinte minutos na pista, ele mal sai da moto e já está conversando com os mecânicos. Presta atenção, opina, tenta entender aspectos técnicos. "Aqui, você tem de saber o que está acontecendo. Muita coisa é na moto, muita é no físico, e muita é na cabeça", explica.

Piloto dedicado, Alex conta que a vontade de andar de moto veio antes da carreira de modelo --assim como ocorreu com Ana e a medicina. "A primeira grana que eu juntei foi para comprar uma moto. O sonho da moto vinha desde a infância, desde os quatro, cinco anos, quando eu enchia o saco para andar na garupa do meu tio do interior", diz. Aos 18, Alex teve a oportunidade de iniciar a carreira de modelo. Rodou o mundo, desfilou para importantes estilistas, foi fotografado por Terry Richardson e até hoje, aos 31, faz diversas campanhas e editoriais. Há dois anos, porém, ele decidiu conciliar o trabalho de moda com o motociclismo.

"Um amigo me chamou para andar em circuito, eu fui pra Londrina andar no autodrómo de lá e o pessoal falou: "o que você tá fazendo aqui? Você tem Interlagos!", conta. A experiência no circuito paulistano foi definitiva, e Alex começou a competir. "Nessa época a prioridade era [o trabalho de] modelo, eu vinha aqui só nos fins de semana. Aí no segundo ano [2011], eu modifiquei toda a minha moto só para corrida e comecei a levar a sério, fui campeão brasileiro na categoria 250cc da Ninja, arrumei patrocínio e pensei: 'sou piloto também'", diz ele.

Além de competir, o modelo hoje é instrutor de pilotagem em uma escola e corre na categoria 600cc. "Isso aqui é uma dose de vida. Tem corrida que eu não lembro de nada, são só uns fragmentos. Quando você consegue entrar nesse canal, você se conecta numa energia que nem sabe se é você que tá andando ou não, tamanho o nível de concentração, e esse é o barato que todo mundo aqui vem buscar", explica ele a paixão pelo esporte.

Sobre as semelhanças entre as duas carreiras, Alex acredita que no motociclismo "a  competição é descarada". "Modelo tem competição, só que é mais politicagem. Outra semelhança com modelo é que você vive tomando uns 'nãos'. São vários nãos pra conseguir um sim", conta, rindo.

Ciente de que o preparo físico para as corridas também o ajuda em seu trabalho como modelo, Alex já conseguiu unir as duas profissões em alguns trabalhos, como em um filme-editorial de 2011 para a revista QG, "Grand Prix". "Você começa a treinar [na academia] e melhora como modelo, porque está mais disposto, com o corpo e a pele melhor. Aqui basicamente é coxa e abdôme, o equilíbrio. É um balé, e por isso a corrida é tão bonita", diz Alex, que no momento ocupa a vice-liderança de sua categoria no campeonato SuperBike Series Brasil.

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