Fragrância de clássica loja de roupas masculinas está um passo à frente da tradição

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Brooks Brothers Avaliação:

Os veneráveis irmãos Brooks, da marca Brooks Brothers, criaram dois perfumes: um masculino, é óbvio, e um feminino, que é um tanto menos óbvio. Esta marca vende belas roupas femininas, mas geneticamente é uma loja para homens.

Dado o fato de que os perfumes femininos são quase sempre superiores aos seus pares masculinos (tome como exemplo Light Blue, Rive Gauche, Carolina Herrera, etc), é sempre uma surpresa quando o masculino cheira melhor. Mas isso deveria ter sido esperado em se tratando de Brooks Brothers.

A Brooks Brothers deu a licença de produção de seus perfumes para a empresa Interparfums, que criou fragrâncias para Burberry e Lanvin, entre outras. A Interparfums contratou dois perfumistas da indústria suíça de moléculas Firmenich. Sob a direção criativa de Kellie Como, da Interparfums, Ilias Ermenidis, da Firmenich, criou o Brooks Brothers New York for Ladies, que infelizmente é um agradável e moderno feminino americano, porém um tanto sem forças.

Kellie Como, evitando qualquer risco, optou por um perfume adocicado e que vai ser usado por uma debutante levemente pálida e inconseqüente, dentro de um vestido rosa pastel, durante a sua festa num jardim em Newport, Rhode Island. Muffy, como iremos chamá-la, não é completamente insensível à atração de um floral doce, mas seu discernimento pára ali. Talvez ela seja circunspecta. Talvez ela seja influenciada por uma fidelidade instintiva ao Partido Republicano. Talvez as memórias da escola em Spence tenham sido forte demais para ela. De qualquer modo, o perfume não faz nada para tirar a Brooks Brothers dos clubes fechados de Princeton, reputação da qual eles estão tentando se livrar.

Por outro lado, o Brooks Brothers New York for Gentlemen, criado pelo perfumista Richard Herpin e também sob a supervisão de Kellie, não é nada ruim. Alguém poderia dizer que ele é levemente ousado - se a ousadia em questão for entrar em um prédio de luxo no Upper East Side. A razão para tal é que Herpin conseguiu aterrissar em um território adocicado, deixando as estranhezas expressionistas e abstratas e os trabalhos brutalistas da arte olfativa para as Etat Libre d'Oranges [NT: uma perfumaria francesa, pequena e inventiva nos aromas e nomes dos seus produtos] do mundo.

"Quando eles me abordaram", Richard Herpin me disse, "falaram: 'queremos criar um grande clássico para a Brooks Brothers. Algo livre das tendências da moda.'" E foi exatamente o que Herpin fez. O rigor nos parâmetros do perfume torna-o perfeito para a demografia pretendida, isto é, um número razoável de homens fora do universo de Wall Street ou de Greenwich.

"Acredito que perfumes são interações", disse Herpin. "E isso é o interessante." Então ele direciona as atenções para sua engenharia: "Se em dois minutos as notas de cabeça desaparecerem, ele não funciona. Não se pode ter uma quebra, um momento no qual se percebe que o perfume está mudando de marcha. Não. Ele precisa ser sutil na troca."

E assim Herpin deu a partida. "A idéia era criar uma tensão entre as notas de cabeça, frescas, e as notas de fundo, misteriosas e confortáveis", ele diz. A saída foi usar bergamota natural e óleo da casca do limão, "mas menos incisivo e sem sua amargura? Também um pouco de reconstituição hiper-realista da mexerica (moléculas misturadas ao odor de mexerica), para dar água na boca e propiciar sorrisos." Herpin acrescentou traços dos sintéticos calona e melonal - que conferem um odor suculento - e petitgrain, caule e folhas de laranjeira, "que estão ali em doses quase subterapêuticas para lhe dar a impressão digital de 'clássico'." Então, ele acrescentou cravo (a flor) realçado pela molécula eugenol, que é crucial na hora de construir o aroma de cravo-da-índia. O eugenol transforma o cravo em uma das flores que mais carrega cheiro de especiaria.

Para reforçar, Herpin usou alguns dos excelentes almíscares sintéticos da Firmenich: muscenona, muscenona delta (muito caro, mas Herpin disse que tanto a Brooks Brothers quanto Kellie Como insistiram) e galaxolide, que não é tão caro, "mas tem este aspecto magnífico de vidro que aquece e clareia o perfume e lhe fornece uma sensualidade cálida, límpida, levemente leitosa, parte maternal, parte animal." Ele também usou vetiver EFS, um vetiver de altíssima qualidade extraído com dióxido de carbono. "Puro e limpo," Herpin diz, "ele traz frescor e adstringência, e elimina a característica de terra e batata encontrada nos vetiveres mais baratos." Então ele suspira: "Você é limitado pelo preço. O vetiver EFS é extremamente caro."

O resultado é um masculino muito agradável e cujo tradicionalismo é aparente, mas que ainda assim está um passo à frente da tradição. Um detalhe: a mexerica e o limão simplesmente não aderem na pele, e se ele "dá água na boca e propicia sorrisos", não há explicação. O que eu distingui é o adstringente gramíneo do vetiver + o condimento do eugenol + a reafirmação do musk + um pouco do agudo e cortante petitgrain. Não há conflito de valores (como no Narciso Rodriguez for Men), mas aí é que está a questão. Aqui temos um Lexus LS [carro de luxo da Toyota] olfativo: muito bem regulado, incrivelmente estável, um motor sólido. Ele não vai deixar ninguém atônito. Mas vai transportá-lo agradavelmente, com conforto e segurança. Nada mal.

Brooks Brothers for Gentlemen
Brooks Brothers
brooksbrothers.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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