Fragrância He Wood, da Dsquared, é melhor e mais inovadora que 90% dos perfumes

por Chandler Burr, do "The New York Times" *
Notas Perfumadas

  • Criadora: Dsquared Avaliação:

Dando continuidade a uma onda surpreendente e fascinante, a maison de moda da Dsquared, encabeçada pelos gêmeos idênticos Dean e Dan Caten, lançou suas duas primeiras fragrâncias setembro passado: um feminino e um masculino. E o masculino é melhor. Será que houve algum engano?

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Em setembro, os irmãos Catens lançaram o que foi, disparado, o melhor lançamento de perfume na cidade de Nova York - não só porque foi divertido e bacanudo ao invés de intencionalmente pretensioso, mas porque o evento foi, surpeendentemente, sobre perfumes. Os recepcionistas da festa usavam as fragrâncias e sabiam comentar sobre elas com inteligência (um deles acenava com entusiasmo para mim, dizendo que o masculino era perfeito para usar com terno.) Os convidados, ao sair do elevador gigantesco, eram recepcionados por um comitê de boas-vindas de jovens homens e mulheres sorridentes, inteligentes e informados, todos com os dois perfumes em mãos, She Wood e He Wood, os quais eram borrifados nos convidados - que, excepcionalmente, estavam querendo testar os perfumes lançados. Isto é revolucionário no mundo do estilo. Então os mesmos jovens homens e mulheres, com convicção e equilíbrio, explicavam os aromas, discorrendo agradavelmente sobre os temas olfativos enquanto conduziam os convidados para uma mesa, onde podiam experimentar os três componentes básicos de cada um. Além da mesa, como decoração, havia uma parede inteira do perfume verdadeiro. Incrível.

Digo isso como um veterano já calejado de festas de lançamentos de perfumes, como o lançamento lotado e cheio de charme do ck IN2U da Coty, onde não havia um único frasco do perfume - ou quem estivesse minimamente interessado em sentir seu cheiro. Nem alguém da Coty, do mais baixo ao mais alto escalão, que pudesse encontrar um frasco. Teve também o lançamento do B de Boucheron, no qual ninguém da turma do marketing havia experimentado, sentido o cheiro ou sequer visto o frasco do perfume. Adequadamente, o evento não teve absolutamente nada a ver com a fragrância.

Em lançamentos de perfumes, a fragrância geralmente fica em terceiro plano, pois vem depois do anúncio para televisão (porque confiamos no sentido da visão, não no do olfato) e da modelo (porque queremos vender sexo, não perfume), o que mostra muito bem o quanto as maisons acreditam em suas fragrâncias. Os editores de estilo se recusam a experimentá-lo ("Já estou usando outro perfume", que é uma afirmação que só pode ter uma resposta: "Desculpe, mas para que você veio a um lançamento de perfume se não vai experimentar o mesmo na pele?"). Não sei se a Dsquared, a fábrica de perfumes que licenciou as fragrâncias e sua agência de relações-públicas são os únicos grupos competentes o bastante para lançar um perfume nos Estados Unidos. Estou somente relatando minha experiência.

Agora, às fragrâncias. She Wood, o feminino, é um perfume agradável, decentemente construído e que se une ao grupo de muitos, muitos outros perfumes perfeitamente agradáveis e decentemente construídos. Ele traz um ponto de vista de madeira. Ok. É melhor que muitos, parece ter sido feito com boas matérias-primas e não é particularmente inovador.

Temos então o He Wood. Trabalhando com os diretores criativos, os irmãos Catens e Giorgia Martone (diretora de marketing da ICR, a fábrica de perfumes licenciada pela Dsquared), a perfumista Daphne Bugey criou um amadeirado usável e moderno. Ela é um talento em ascensão e uma artista com convicções, e fez um trabalho muito bom. Suponho que seus componentes são bétula, pau-santo, iso-E-super (uma boa madeira sintética), cedro, algum tipo de galaxolide, ou parecido com isso (um bom almíscar sintético), e talvez um toque de ionona (violeta). Dadas as matérias-primas, se eu estiver correto a respeito delas, ele tem uma surpreendente falta de intensidade na pele, mas sua reaplicação resolve o problema. Qualquer homem vai poder usar o He Wood, e o aroma vai retribuir-lhe: ele parecerá limpo, bem apessoado, civilizado e - o último e decisivo argumento - inteligente.

Em termos artísticos, o He Wood vai além do Gucci Homme - que, da forma mais ousada e avant-garde possível, não é nada mais que a sobra do lápis apontado (também conhecida como cedro)? Discutivelmente sim. Ou a criatura cruel, violenta, exótica e maravilhosa que é o masculino de Narciso Rodriguez, feito por Francis Kurkdjian? De maneira alguma. Mas é um masculino melhor e mais inovador que 90 por cento do que está por aí, com personalidade e bom gosto, que carrega a tranqüilidade e a solidez do sorriso de um homem bonito? Sim.

He Wood
Dsquared
www.dsquared2.com
 

Tradutor: Erika Brandão

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