Imóvel tombado muda plano de parque em SP

  • Guilherme Gaensly / Divulgação

    Vista do rio Tietê em 1905, antes de ser retificado e poluído

    Vista do rio Tietê em 1905, antes de ser retificado e poluído

São Paulo - No meio do caminho daquele que é chamado pelo governo estadual como o "maior parque linear do mundo" havia paredes de taipa e azulejos portugueses que provocaram uma mudança de planos no projeto do Parque Várzeas do Tietê.

Por causa de um imóvel tombado em 1994 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o governo do Estado foi obrigado a incluir o sítio histórico da Fazenda Biacica nos futuros equipamentos que farão parte do local.

Como não havia o registro do imóvel tombado pelo Município, a previsão inicial era de que a Fazenda Biacica, uma edificação do século 17, fosse demolida e tivesse o mesmo fim de centenas de imóveis localizados ao longo de 75 km das áreas de várzea do Tietê que serão transformadas em parque linear, com a recuperação de matas ciliares e remoção de famílias.

"A previsão inicial era derrubar o imóvel para recuperar a área. Agora, vamos trabalhar para preservá-lo e fazer o parque nascer já com esse lado histórico", afirma o engenheiro Maximiliano de Aguiar, coordenador da Unidade de Gerenciamento do Projeto Tietê do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (Daee).

Localizada no distrito de Jardim Helena, extremo leste da capital, a Fazenda Biacica teve o valor cultural e ambiental reconhecido pelo Conpresp nos anos 1990, mas historicamente já havia merecido menção de Mario de Andrade em 1937, segundo registros da Prefeitura. Na entrada, o imóvel tem um conjunto de árvores e palmeiras imperiais. Acima da porta principal, com cerca de 3 metros, está gravada a data de 1682.

Ontem, dois anos após ser lançado, o governo do Estado assinou um contrato de empréstimo de US$ 115,7 milhões (cerca de R$ 200 milhões) com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a construção da primeira etapa do parque linear, da barragem da Penha, na zona leste da capital, até a divisa com Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. A previsão é terminar a primeira etapa até 2016, com a instalação de núcleos de lazer, ciclovias e agora um sítio histórico. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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