Prédios e baladas mudam cara do Baixo Augusta, em SP

São Paulo - Desgostoso com a queda de 70% no movimento de sua boate, na Rua Augusta, em São Paulo, o empresário goiano Henrique José Toledo, de 39 anos, investiu R$ 80 mil no velho sobrado e transformou a casa de garotas de programa em clube GLS. Pretende inaugurá-lo na quinta-feira (11).

Em dois meses, Toledo foi do forró ao techno e entrou na onda dos empresários que aproveitam a reinvenção do trecho conhecido agora como Baixo Augusta, na parte da rua mais próxima do centro de São Paulo, para fazer dinheiro.

Integram esse rol proprietários de imóveis antigos, incorporadores de novos, investidores e comerciantes. A área de oportunidades se estende pelas vizinhas Ruas Frei Caneca, Bela Cintra e transversais. Seus entusiastas acrescentam que a região vai ganhar ainda com a prometida recuperação da Praça Roosevelt, no centro, e a reabertura do Teatro Cultura Artística. Para conjugar um com o outro, a Prefeitura deve desapropriar uma série de inferninhos naquele pedaço.

Ecletismo

Tudo começou com a renovação da frequência na região - e sua divulgação na mídia. A paisagem antes restrita a botecos encardidos, night clubs de garotas de programas e carros com motores envenenados tornou-se tão eclética que hoje as casas noturnas promovem festas especiais para roqueiros, artistas plásticos, emos, performáticos, metaleiros, gays, cinéfilos e lésbicas (assim mesmo, tudo separado).

Para alguns sujinhos remanescentes, foi possível sobreviver sem mexer um tijolo. Caso do Eclético's, um boteco escuro e frio, com antigas máquinas de fliperama pelos cantos, agora frequentado por uma clientela supostamente desencanada.

Especulação

Enquanto isso, nos estandes imobiliários, corretores dos lançamentos em série da região chegam a cobrar astronômicos R$ 9 mil pelo metro quadrado, vendendo vantagens como a proximidade do centro da cidade, de estações do metrô, universidades e shoppings.

Especialistas acreditam que, cobrando tanto pelo metro quadrado, os especuladores aproximam-se perigosamente do limite da demanda. "Puxando o preço tão para cima, eles correm o risco de ver o produto encalhado", diz Luiz Paulo Pompeia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). Uma pesquisa encomendada por eles revela que, das 4.054 unidades lançadas nos últimos três anos no centro, Bela Vista, Consolação, Liberdade e Santa Cecília, 3.892 estão vendidas. As informações são do jornalO Estado de S. Paulo.

 

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