Hospitais fechados degradam bairros de São Paulo

Hospitais fechados ou abandonados são uma fonte de problemas para a vizinhança - há pelo menos 20 prédios inativos na cidade de São Paulo.

Além da indignação que leitos e serviços de saúde desativados provocam na comunidade, esses estabelecimentos degradam a paisagem e trazem insegurança, porque tornam o local escuro, com pouco movimento e pichado. São também atrativos para bandidos e moradores de rua e desvalorizam o entorno.

"É um transtorno grande, principalmente em relação à desvalorização dos imóveis próximos. Na minha opinião, chega a 50%" diz o representante comercial Victor Kerr, de 65 anos, que mora na frente do Hospital Itatiaia, na Lapa, zona oeste da capital. No mesmo bairro, o Hospital Sorocabana completa um ano de inatividade.

Diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia garante que imóveis vizinhos a prédios abandonados sofrem desvalorização. Mas o impacto depende de cada caso. "A desvalorização é maior nos imóveis imediatamente próximos, mas também desvaloriza os do entorno. É como favela: ninguém quer morar perto."

Nos estabelecimentos abandonados há mais de uma década, o sentimento da comunidade é de resignação. "Apesar de todos os transtornos, não tem para quem reclamar porque são prédios particulares", lamenta Fernando César Vieira, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Vila Formosa, onde está abandonado o Hospital Zona Leste. Aliás, ninguém sabe ao certo quando este fechou as portas. Mas a estimativa é que isso já tenha em torno de 15 anos.

Para o presidente do Sindicato dos Hospitais de São Paulo (Sindhosp), Dante Montagnana, os centros médicos fecham por causa dos repasses insuficientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e por quebra de operadoras de saúde com unidades próprias. "Se você não tem recursos nem gestão, fecha logo."

Já Walter Cintra Ferreira, colaborador do Centro de Estudos em Saúde da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que hospitais são organizações com alto custo operacional. "E por isso é necessária uma administração extremamente afinada." As informações são do "Jornal da Tarde".

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