Centro de São Paulo terá bulevar entre praças

São Paulo - O mosaico português de 2,5 quilômetros de calçadas do centro de São Paulo vai ser trocado por concreto e várias travessias para pedestres vão ganhar faixas elevadas, como lombadas. Isso tudo para aumentar o conforto e a segurança para quem anda pela região central. Batizado de Rota Acessível, o projeto da Secretaria Municipal de Transportes prevê melhorar o deslocamento de quem percorre, a pé, o trecho entre as Praças da República e da Sé, incluindo uma extensão rumo à Prefeitura, na Rua Libero Badaró. Para isso, vão sair as pedras que revestem parte dos passeios na Avenida São Luís, na Rua Maria Paula e no Viaduto Jacareí - onde fica a sede da Câmara Municipal - e vai ser instalado o piso de concreto, igual ao que foi colocado na Avenida Paulista.

Diversos cruzamentos também vão ganhar faixas de pedestres elevadas. Além de incentivar os veículos a reduzir a velocidade, elas tornam as travessias mais visíveis. "Será uma continuação da calçada mesmo", afirma a superintendente de Educação e Segurança da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Nancy Schneider.

As quase 30 faixas da região que poderão receber esse tratamento já foram mapeadas pelo órgão. O material escolhido para a sua construção ainda não foi definido, mas provavelmente será o concreto, por deformar menos do que o asfalto com as constantes frenagens dos carros.

O primeiro passo das melhorias das calçadas, no entanto, será a remoção de obstáculos que atrapalham a mobilidade dos pedestres, como postes sem uso e orelhões que ficam no meio do passeio. Algumas bancas de revistas também poderão sair. A etapa seguinte, segundo a previsão da Prefeitura, é a troca do piso das calçadas. Por fim, haverá a instalação de botoeiras sonoras - que avisam quando o sinal do pedestre fica verde.

Também está prevista a colocação de mais avanços de passeio - os "puxadinhos" azuis, como o que foi instalado no Largo do Paiçandu - em esquinas da Rua Maria Paula. No Viaduto Brigadeiro Luís Antônio e na Rua Libero Badaró, estuda-se ampliar fisicamente as calçadas. Para isso, haverá, respectivamente, a retirada do excedente da baia de ônibus sentido Jardins, e das faixas de estacionamento, nos dois lados da via.

As obras devem começar em janeiro e serem entregues em um ano, segundo estimativa do presidente da Câmara Municipal, José Police Neto (PSD), um dos incentivadores da iniciativa. "A questão fundamental é dar ao pedestre a preferência. A Câmara vai dar a sua pequena contribuição, que é a acessibilidade do seu entorno", diz o vereador. Porém, nem ele nem a Prefeitura informaram os custos das obras. Police Neto também não disse quanto a Câmara vai desembolsará para o projeto.

Pedestres ouvidos pela reportagem na Avenida São Luís apoiaram a iniciativa. "Se não ficar só na promessa, vai ser bom. As calçadas aqui precisam", diz a aposentada Aparecida Sousa Gaspar, de 65 anos, apontando para um buraco no mosaico português na frente do Edifício Louvre. "Idosos e cadeirantes são sempre prejudicados por esse piso ruim", afirma o administrador de empresas Adilson Abraão Neme, de 62 anos. Já o jornaleiro Quintino de Paulo, de 58 anos, é contrário à retirada de bancas das calçadas. "Elas não atrapalham, mas ajudam o pedestre, pois são verdadeiros postos de informação".

A urbanista da USP Maria Lucia Refinetti diz que o foco desse tipo de ação deveria ser fora da região central, onde há calçadas em condições piores do que as que serão reformadas. "Nos bairros mais periféricos não existe só problema de obstáculos, mas de atropelamentos por causa das calçadas estreitas".

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