Bolha imobiliária de Cabul está a um passo de explodir

  • Massoud Hossaini/AFP

    Bandeira do Afeganistão, Estado cuja capital é Cabul

    Bandeira do Afeganistão, Estado cuja capital é Cabul

Cabul, 18 set (EFE).- O bairro de Sherpur é uma ilha de riqueza em Cabul, que vive uma bolha imobiliária de imóveis com piscina e aluguéis caros cujos donos temem que esteja a um passo de explodir com a saída das tropas estrangeiras do país.

As mansões de Sherpur, cercadas de muros altos que lembram castelos, são propriedade de afegãos ricos que ganharam muito dinheiro alugando os imóveis para ONGs e funcionários estrangeiros, mas que começaram a ficar sem inquilinos.

Alheias ao conflito local, muitas dessas casas eram colocadas à disposição das organizações internacionais em troca de aluguéis que muitas vezes passavam de US$ 30 mil e representavam um estranho contraste em um país castigado pela pobreza e pela guerra.

Os planos de retirada das tropas estrangeiras, que devem deixar o Afeganistão em 2014, trouxeram, no entanto, temor aos proprietários dos imóveis de que as organizações civis que acompanhavam os militares continuam no local. E a ameaça já começa a ser percebida nos preços dos aluguéis.

"Há dois meses eu alugava minha casa por US$ 12 mil. Depois abaixei para US$ 8 mil, e mesmo assim ninguém se interessa", disse à Agência Efe um proprietário que até pouco tempo tinha como inquilinos os funcionários da embaixada espanhola no Afeganistão.

Em Sherpur é possível encontrar ofertas de mansões vazias, como a que Mohammad Sayeedi oferece, com "36 suítes" e um preço de US$ 22 mil, sem necessidade de pagamento antecipado. Mas de acordo com analistas do setor, Sayeedi terá que diminuir suas expectativas.

Em junho, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fixou um calendário para a retirada das tropas enviadas ao Afeganistão e os outros países que integram a coalizão da missão da Otan se prepararam para tomar a mesma medida. No Afeganistão há atualmente em torno de 133 mil soldados estrangeiros.

O bairro de Sherpur, para onde foram as organizações de ajuda e companhias privadas, teve um nascimento recente: no ano 2004, quando um humilde bairro residencial foi demolido e abriu espaço para casas de políticos, senhores da guerra e ricos homens de negócios.

O bairro é um conjunto de mansões que nada tem a ver com o sofrimento da população afegã: na maior parte do país, um operário ganha por dia entre US$ 1,5 e US$ 2, uma quantia insuficiente para seu sustento e um aluguel decente em Cabul.

Muitos afegãos pobres culpam a presença estrangeira pelos altos preços dos imóveis na capital, onde contrastam uma minoria rica e a extrema pobreza que assola grande parte da sociedade afegã.

A explicação para o problema pode estar nos bilhões de dólares em ajuda que chegaram ao Afeganistão desde a invasão do país em 2001, embora sejam frequentes as denúncias de corrupção.

 
Fawad Peikar.

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