CRIs ganham destaque com expansão do mercado imobiliário

SÃO PAULO – O mercado imobiliário tem crescido no Brasil, basta considerar dados divulgados na terça-feira (26) pelo Banco Central, que mostraram que R$ 125,2 bilhões foram contratados em crédito habitacional em setembro. E o desenvolvimento deste mercado é interessante para investidores.

Não é somente quem pensa em comprar e alugar imóveis que pode se beneficiar deste bom momento econômico do mercado imobiliário brasileiro. O investidor pode também apostar em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários).

Para quem não conhece a modalidade, de acordo com o diretor da Verax Serviços Financeiros, Marcelo Xandó, os CRIs são títulos lastreados em créditos imobiliários e garantidos por imóveis. Seus termos e condições (taxas, prazos e amortizações), porém, são variáveis conforme cada emissão específica.

De acordo com dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o estoque de títulos de CRI em setembro deste ano estava em R$ 15,2 bilhões, enquanto que no mesmo período do ano passado estava em R$ 9,2 bilhões, o que remete a um aumento de 65% em 12 meses.

O Brasil

Ele explicou que, no Brasil, ainda há um baixo nível de alavancagem através de estruturas de securitização de fluxos imobiliários, se comparado ao total de imóveis disponíveis.

“Com o desenvolvimento de novos empreendimentos e a maior participação do crédito no setor imobiliário, a necessidade de recursos se tornará ainda maior, assim como uma dinâmica de financiamento do mercado através da participação do investidor”, explicou Xandó.

Isso porque as fontes tradicionais de financiamento do mercado imobiliário, o FGTS e a poupança, podem não fazer frente à demanda dos brasileiros por casas e apartamentos e, diante disso, será preciso recorrer a outros mercados, como o de securitização, quando os CRIs ganharão destaque.

Já para o diretor da Brazilian Finance & Real Estate, Fernando Cruz, os CRIs vão ganhar notoriedade no Brasil por conta do seu retorno.

“É um bom momento para investir neles. Temos a tendência de queda da taxa de juro de longo prazo e, investindo em CRI, consegue-se uma rentabilidade alta em relação ao que o mercado vai oferecer se a taxa vier a cair nos próximos anos”, disse.

Investidores

Os CRIs são destinados a pessoas jurídicas e físicas, sendo que neste último caso ele ainda atinge apenas investidores qualificados.

“A participação do investidor pessoa física tem crescido a cada ano, mas devido ao perfil de longo prazo das operações, o produto ainda está restrito aos investidores qualificados e de maior porte”, disse Xandó.

Mas o mercado tem se movimentado para que o pequeno investidor tenha acesso aos CRIs. “A gente vem trabalhando fortemente para isso. Conseguimos a isenção do Imposto de Renda e isso já trouxe para o investimento em CRI bastante pessoa física, já que estamos falando em uma diferença de rentabilidade de quase 20%”, completou Cruz.

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