Número de lançamentos de imóveis na capital paulista perde força

SÃO PAULO – O número de lançamentos de imóveis na cidade de São Paulo cresceu 53,8% neste ano, na comparação com 2004. Já na Região Metropolitana, o aumento no mesmo período foi bem maior, de 159%, mostram dados do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

Na comparação com 2009, os lançamentos realizados na cidade avançaram 25%. Já os realizados na Região Metropolitana cresceram mais, 45%. Neste ano, a cidade contou com 17.781 lançamentos, e a RMSP, com 35.666.

Diante dos números, constata-se que, cada vez mais, a capital paulista está perdendo peso quando o assunto é lançamento. Para o presidente do Secovi-SP, João Crestana, a redução deve-se, basicamente, à queda no número de terrenos disponíveis para novas construções.

Motivos

Ele ainda cita como motivo o Plano Diretor da cidade, que, na sua avaliação, reduziu ainda mais a oferta de terrenos. “O Plano diminuiu a densidade de ocupação dos terrenos, que agora comportam menos unidades habitacionais”, diz. Com menos unidades por terreno, explica, os imóveis acabam ficando ainda mais caros.

Outro fator que ajuda a explicar o menor número de lançamentos na cidade e o aumento desse número nas regiões mais periféricas é a falta de regras claras a respeito de onde pode e onde não pode ser o imóvel construído. “Não somos contra as regras sobre construções em áreas verdes e onde exista patrimônio público. Nós nos queixamos da falta de clareza dessas regras, que acabam por causar uma insegurança jurídica às construtoras”.

Espaço e regras claras não são os únicos motivos para a queda no número de lançamentos. Eles também seguem a demanda. E a demanda está “fugindo” para o interior e para o litoral. “A falta de disponibilidade de imóveis com preço adequado fez o paulistano buscar outras opções”, avalia o presidente do Secovi.

Inchaço?

Os números mostram que o número de lançamentos na capital paulista caiu ininterruptamente de 2004 a 2006, voltou a crescer em 2007 para 2008, mas recuou quase 40% entre 2008 e 2009, devido às consequências da crise econômica no mercado imobiliário paulista. Excetuando esse período, os lançamentos na Região Metropolitana cresceram de 2004 a 2008, para voltar a subir em 2009.

Apesar desse ritmo menos intenso, Crestana acredita que o mercado imobiliário da cidade ainda tem muito espaço para crescer. “Exemplo disso são as operações urbanas que a prefeitura pretende desenvolver, que nos dará cerca de 20 milhões de metros quadrados de área bruta, sendo que entre 3 e 4 milhões devem ser de terrenos disponíveis”.

Crestana refere-se às Operações Urbanas Lapa-Brás e Mooca-Vila Carioca, da Prefeitura, que devem revitalizar regiões degradadas da cidade para torná-las mais atraentes. “Essas operações são apenas exemplos de que temos muito espaço para crescer”, completa.

UOL Cursos Online

Todos os cursos