Enchentes desvalorizam imóveis em até 30%, mas recuperação é rápida

SÃO PAULO – No verão, estados de alerta na cidade de São Paulo devido às chuvas são constantes. E não são poucos os bairros e regiões que sofrem com as enchentes. Nesse cenário, o mercado imobiliário tem dificuldade de comercializar nessas áreas e o preço dos imóveis afetados chega a cair até 30%.

“Toda região onde há enchente há desvalorização”, afirma o presidente do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto. Além da desvalorização, a dificuldade de comercialização aumenta. “Nessas regiões, a liquidez é menor, mesmo quando não há chuvas”, diz.

Na avaliação do presidente do Creci-SP, independentemente do imóvel ser novo ou velho, a desvalorização ocorrerá. Contudo, os impactos são mais profundos em imóveis maiores. “De qualquer maneira, vai ter desvalorização”.

Recuperação

Durante as chuvas, a demanda por imóveis em áreas que ficam alagadas constantemente registra forte queda. Contudo, assim como o valor, a procura se recupera em pouco tempo. “Depois de 120 dias, o pessoal já esquece e o mercado volta ao normal”, acredita Viana.

No longo prazo, Viana acredita até que possa ocorrer uma valorização das unidades, devido às perspectivas de melhorias na região. "Mas, para quem pensa em alugar, é fundamental se informar sobre os riscos de enchentes, pois as perdas com alagamentos ficam a cargo do inquilino", alerta.

Para ele, mesmo com todo esses estados de atenção, ainda que o mercado tenha dificuldades de fluir em muitas áreas afetadas pelas chuvas, ele não para totalmente. “Em cidades como São Paulo, os negócios não param”, afirma.

Essa movimentação deve-se, em grande parte, aos valores dos imóveis nessas regiões, mais baratos que nas áreas mais centrais. “Existem famílias que acabam adquirindo esses imóveis porque o preço acaba sendo o grande atrativo”, considera.

Vendas

De acordo com os dados do conselho, 256 apartamentos e casas usados foram vendidos na capital paulista em dezembro do ano passado pelas 509 imobiliárias consultadas pelo conselho.

A maioria das vendas se deu por financiamento - 53,18% do total -, sendo que 31,75% foram contratados na CEF (Caixa Econômica Federal) e 21,43%, em outros bancos. Já 1,19% das vendas ocorreu diretamente com o proprietário e 0,40%, por meio de consórcio. Já as vendas à vista totalizaram 45,24%.

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