Notícias sobre inflação e crédito deixam paulistano inseguro para comprar casa

SÃO PAULO – Os consumidores paulistanos estão mais cautelosos para se comprometerem com compras de alto valor e a intenção de adquirir a casa própria nos próximos seis meses caiu 1,8 ponto percentual entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, segundo pesquisa divulgada pelo Provar nesta semana.

Dos entrevistados da cidade de São Paulo, 6,2% afirmaram que planejam a compra de um imóvel. Na pesquisa do primeiro trimestre, o percentual era de 8%. A queda da intenção veio acompanhada também pelo recuo de 15% do valor médio que os consumidores que planejam a compra afirmaram que pretendem investir.

A pesquisa mostra que no primeiro trimestre, o valor que os consumidores pretendiam gastar com a compra da casa própria ficou em R$ 116,250 mil em média. No segundo trimestre, o montante ficou em R$ 98,774 mil.

Esses recuos, na avaliação do professor e pesquisador do Provar Nuno Fouto, um dos responsáveis pela pesquisa, devem-se à queda do otimismo dos consumidores da capital paulista. “O consumidor já avalia que o momento não é tão bom para a compra de um imóvel”, afirma.

Ambiente pesado
E essa desconfiança, segundo Fouto, pode ser resultado do clima tenso que paira sobre a economia do País. Embora saibam que o mercado de trabalho está aquecido e que a economia brasileira está estabilizada, as notícias sobre as altas sucessivas da inflação e de que o crédito está mais caro, ainda que não o financiamento imobiliário, deixaram os consumidores mais inseguros.

“Tenho certeza de que esse ambiente favorece o aumento dessa desconfiança”, avalia o professor. “E quando o consumidor começar a perceber que os serviços estão mais caros e que está sobrando menos dinheiro no final do mês, ele ficará mesmo menos otimista e pensará menos em comprar imóvel”, atesta Fouto.

Os dados da pesquisa mostram que, se comparado ao último trimestre do ano passado, a intenção de comprar imóveis subiu. No quarto trimestre de 2010, 4,8% dos consumidores planejavam a compra para os próximos seis meses. A alta, nessa comparação, na avaliação de Fouto, deve-se ao fato de que no fim de ano, os consumidores não têm uma ideia concreta sobre o que farão no próximo ano em termos de consumo.

Contudo, aqueles que afirmaram que planejavam de fato a compra do imóvel estavam com os planos acertados e tinham uma ideia real do valor da casa. Por isso, a pretensão de gastos com a casa própria era maior nos últimos meses de 2010, de R$ 124,167 mil.

2011
De maneira geral, o professor acredita que, apesar da queda na intenção de compra entre os paulistanos, o mercado imobiliário na capital paulista terá espaço este ano. “Acredito que o mercado tende a se estabilizar ou até crescer, mas menos do que no ano passado”, diz Fouto. “O que não há é mais espaço para um desempenho como o de 2010”, considera.

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