Com crédito, setor da construção civil pode crescer acima do PIB em 2011

SÃO PAULO – O acesso ao crédito e o crescimento da renda no Brasil ainda devem continuar influenciando o crescimento do setor da construção civil neste ano. Estudo feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado nesta quinta-feira (12), mostra que a expectativa é que o segmento cresça 8,5% neste ano, acima do crescimento previsto para o PIB (Produto Interno Bruto), de 4,5%.

Apesar da boa perspectiva, os pesquisadores do Dieese apontam que a instabilidade conjuntural deste ano e a desaceleração econômica tornam difíceis previsões do nível de atividade do segmento de materiais de construção. Mas dizem que o consumo deve desacelerar. “O consumo deve ter o ritmo reduzido devido à queda da renda real, decorrente da aceleração inflacionária, do reajuste do salário mínimo sem ganho real, de medida de restrição ao crédito e do aumento da taxa básica de juros”.

Investimentos
Para o Dieese os investimentos públicos e privados, além de programas como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida, estimularam o crescimento do segmento em 2010 e são os fatores que devem ajudar a compor um cenário positivo para o setor em 2011, apesar de uma possível redução no ritmo de consumo. Além disso, o estudo cita a Copa de 2014 como um dos pilares para o crescimento.

“Para o Brasil receber a Copa do Mundo de Futebol em 2014, será necessária a realização de obras e empreendimentos nas cidades que sediarão os jogos, com o objetivo de melhorar aspectos relacionados, entre outros, à mobilidade urbana e às instalações de estádios e arenas esportivas”, consideraram os pesquisadores. Para o evento, estão previstos mais de R$ 17 bilhões em investimentos, dos quais R$ 11,4 bilhões serão destinados para mobilidade urbana e R$ 5,7 bilhões para os estádios.

O estudo aponta também que o forte crescimento do setor ainda não refletiu na melhora das condições de trabalho e de renda dos trabalhadores da construção civil. “Mesmo com o movimento de formalização, ocorrido em 2010, e as conquistas nas negociações coletivas, o setor ainda apresenta altos índices de informalidade e de rotatividade”, avaliam os pesquisadores no estudo.

Crescimento contínuo e sustentável
Com o cenário favorável, espera-se um bom desempenho do setor, como o ocorrido em 2010, quando o crédito e queda nos juros ajudaram a construção civil a se estabelecer. O aumento nos investimentos no setor resultou em 2010 também em uma alta no aporte de financiamentos imobiliários, com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que alcançou os R$ 83,9 bilhões.

Os valores contratados nos financiamentos com recursos do FGTS cresceram 73%. E a quantidade de unidades adquiridas ficou 57% maior que a de 2010. Já os financiamentos por meio da Poupança SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) aumentaram 65% e o número de unidades contratadas cresceu 39%.

Os números apontam para um crescimento sustentável do segmento de materiais de construção. Entre 2005 e 2009, a construção civil cresceu cerca de 10% ao ano, depois de um período de estagnação de 20 anos.

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