Imóveis: com alta de preços, especialistas comentam se é melhor comprar ou alugar

SÃO PAULO – Comprar um imóvel à vista ou investir o valor e, com o rendimento, pagar aluguel? Com o preço dos imóveis cada vez mais caro, a segunda alternativa tem sido cogitada por muitas pessoas.

Fazendo uma conta simples, se o percentual do aluguel em relação ao imóvel for menor do que o rendimento do investimento, a aplicação financeira pode ser uma alternativa mais interessante.

“O preço dos imoveis reajustou muito nos últimos 3 e 4 anos, e os aluguéis não acompanharam essa valorização tão acentuada. Em muitos lugares, o aluguel está 0,3% do preço do imóvel. Nesta condição, você pode investir em uma aplicação com risco baixo, pagar o aluguel e ainda ganhar a diferença”, afirma o vice-presidente do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) e ator do Livro “Imóveis”, Luiz Calado.

O planejador financeiro Valter Police concorda. “Se você fizer o cálculo, financeiramente, é muito provável que aplicando o dinheiro e alugando o imóvel você consiga ter uma vantagem financeira. Mas isso vai depender do imóvel e da aplicação financeira que você escolher”, afirma Police.

Valorização do imóvel
Entretanto, eles lembram que também é preciso levar em consideração a valorização do imóvel. “Os imóveis estão em um patamar de preços bastante elevado. Não dá para saber se vão continuar se valorizando ou se haverá uma queda nos preços daqui para frente. Se eles continuarem a se valorizar, aplicar o dinheiro pode não ser o melhor negócio, mas se desvalorizarem, aí sim o investimento terá sido a melhor alternativa”, afirma o planejador.

O vice-presidente do Ibef também aponta este risco. “Se o preço dos imoveis continuar subindo, a pessoa pode não conseguir comprar o imóvel depois daqui a alguns anos com aquele valor aplicado”, pondera.

Entretanto, na opinião do especialista, após a valorização dos imóveis nos últimos anos, existe uma tendência de que os preços não subam mais e começem a cair nos próximos meses. "O mercado é cíclico e sinto que estamos chegando em uma máxima. Assim, o preço dos imóveis pode se estabilizar, e perder valor por conta da inflação, ou então cair, o que é bastante provável", acredita.

Perfil
Para Police, o perfil do comprador de imóvel ou futuro investidor é importante para decidir por uma das duas opções. “Tem pessoas que fazem questão de morar em um imóvel próprio, de ter a segurança de saber que aquele bem está em seu nome”, afirma Police.

Para estas pessoas, segundo ele, vale mais a pena comprar o imóvel com o dinheiro do que fazer uma aplicação financeira. “A idade também conta bastante. Geralmente, as pessoas mais velhas possuem um perfil mais conservador e preferem investir em imóveis”, afirma. Neste caso, ele afirma que é melhor não ir contra a sua própria lógica.

Parte à vista e parte financiada
O professor da PUC – SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e diretor da Metha Consultoria, Claudemir Galvani, aponta uma outra alternativa, caso a pessoa tenha em mãos o valor total do imóvel: dar parte do valor de entrada e financiar o resto, com uma taxa de juros menor do que o rendimento da aplicação. “Você paga, por exemplo, 30% do imóvel e financia os outros 70%. Este dinheiro que você tinha, mas não usou para pagar o imóvel, pode ir para uma aplicação financeira que pague juros maiores do que o financiamento”, afirma Galvani.

Segundo o professor, esta é uma alternativa para ganhar com o rendimento da aplicação e ainda se beneficiar da possível valorização do imóvel. “Diferentemente de alugar o apartamento, você vai ter o imóvel em seu nome e assim poderá vendê-lo depois, com valorização”, ressalta.

Já Valter Police discorda. “É muito difícil conseguir uma aplicação que renda mais do que o custo efetivo total do financiamento. Não dá para comparar apenas os juros da aplicação com os juros do financiamento. Tem uma série de impostos e seguros que fazem o custo efetivo total bruto ser mais alto”, conclui.

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