Setor de materiais de construção desacelera em 2011

São Paulo - O segmento de materiais de construção fechou a primeira metade de 2011 com ritmo de crescimento inferior ao apurado no ano passado, segundo estudo da entidade que representa o setor no país, Abramat, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgado nesta quinta-feira.

De acordo com o levantamento, a produção de materiais aumentou 2,4 por cento entre abril e junho ante o mesmo período de 2010, enquanto no primeiro trimestre deste ano o crescimento foi de 5,5 por cento na mesma base comparativa.

No segundo semestre de 2010, segundo o IBGE, a produção dos insumos havia avançado quase 8 por cento. Nesse ano, de janeiro a junho, essa taxa caiu para menos de 4 por cento.

"Em linhas gerais, portanto, as taxas de crescimento da indústria estavam sendo cortadas pela metade", afirmam as entidades, indicando a alta base de comparação com 2010, quando o setor imobiliário disparou, e a desaceleração vista esse ano em decorrência de juros mais altos e menor disponibilidade de crédito.

Em termos de faturamento, o segmento também desacelerou. As vendas reais da indústria de materiais caíram 2 por cento no segundo trimestre, enquanto nos seis primeiros meses do ano a queda acumulada foi de 1,2 por cento.

No varejo, o faturamento do setor cresceu 10,8 por cento no segundo trimestre contra igual período do ano passado, conforme dados do IBGE. No primeiro semestre, o aumento anual foi de 11,9 por cento.

"É importante observar que a nova estratégia macroeconômica --juros mais baixos, contingenciamento de gastos públicos e medidas de proteção comercial-- visa corrigir algumas distorções acumuladas ao longo da fase de forte recuperação registrada em 2010, como o descompasso entre o desempenho do varejo e da indústria", assinalam as entidades no estudo.

"O descompasso entre o faturamento real das vendas reais da indústria e do varejo pode estar associado a um movimento de compra de mais produtos importados pela revenda, o que contribui para a desaceleração na indústria", acrescenta o presidente da Abramat, Walter Cover.

Ainda assim, o levantamento aponta uma reversão do cenário a partir do terceiro trimestre. Em julho e agosto, o faturamento real do setor acumulou alta de quase 3 por cento.

O estudo informou também que, no primeiro semestre, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor aumentou 9,7 por cento ano a ano. Em 2010, a taxa de crescimento do emprego havia sido de 14,5 por cento no período.

(Por Vivian Pereira)

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