Secovi-SP vê tendência de estabilidade dos preços de imóveis novos

SÃO PAULO - Após a forte valorização vista durante o ano passado, os preços dos imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo devem apresentar tendência de estabilidade a partir de 2011, prevê o Secovi-SP (Sindicado da Habitação). O motivo dessa tendência, segundo o presidente da entidade, João Crestana, é que, em 2010, ano em que o mercado consolidou o movimento de retomada após a crise financeira internacional, os preços já atingiram o limite na escalada de alta. "O preço já começa a bater no teto", analisa.

Ele percebe que, enquanto no ano passado as vendas eram feitas muito rapidamente, hoje, os lançamentos com preços mais "ousados" estão levando até sete meses para a assinatura do contrato. O executivo acredita que, a partir deste ano, os preços devem subir apenas acompanhando o ritmo dos índices de inflação.

O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, conta que, em reuniões com áreas de inteligência imobiliária, tem se confirmado essa dificuldade de vendas, em alguns casos. Para ele, esse comportamento indica que o preço do metro quadrado na cidade de São Paulo está perto do equilíbrio.

A tendência também é comprovada nos pré-lançamentos de empreendimentos imobiliários, que muitas vezes são uma oportunidade para as empresas corrigirem o preço e, no lançamento, apresentarem um valor mais baixo. No mercado de luxo esse "teste" do pré-lançamento é mais evidente, mas, segundo Crestana, esse esgotamento não se restringe a bairros específicos. "Pode ser em Itaquera, Centro, Vila Madalena. Quando tem um empreendimento próximo com preço melhor, vai mais rápido, e os mais caros demoram até seis, sete meses para vender", compara.

Já no caso dos imóveis de até R$ 170 mil, grupo que impulsionou o desempenho do setor no ano passado, a demanda reprimida ainda faz com que a venda seja concluída com muita rapidez. Mas, segundo Crestana, os preços para essa faixa não vinham subindo muito no ano passado e não devem preocupar, seguindo a inflação a partir de 2011, "ou um pouco mais".

Bolha
Sobre a valorização expressiva dos preços dos imóveis no ano passado, Crestana descarta a hipótese defendida por alguns especialistas da existência de uma bolha no mercado imobiliário. Segundo ele, esse cenário não se sustenta por dois fatores. Primeiro, porque o sistema brasileiro de concessão de crédito é muito rígido e, segundo, porque o país tem uma demanda habitacional reprimida a ser solucionada.

Ele argumenta que a escalada dos preços foi justificada pela alta procura e aumento dos custos de empreendimentos, especialmente em função da valorização excessiva dos preços de terrenos. Além disso, a redução dos estoques também contribuiu para pressionar os preços, já que o ritmo de vendas praticamente acompanhou o de lançamentos durante o ano de 2010.

(Ana Luísa Westphalen | Valor)

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