Grito é o "novo tapa" nos filhos

Da Redação

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    Agressão verbal na infância pode desencadear depressão e ansiedade na vida adulta,
    segundo pesquisa

Gritar com os filhos e fazer ameaças até podem parecer atitudes rotineiras dos pais em meio ao dia a dia cheio de informações e compromissos. Mas, cuidado: se esse comportamento for constante pode ser classificado como um sério tipo de violência, a psicológica, tão prejudicial quanto a física.

 

Segundo matéria publicada recentemente no jornal americano “The New York Times”, a maioria dos pais de hoje não bateria em seus filhos de jeito nenhum. No entanto, muitos se sentem sem ferramentas eficazes para controlar os pequenos e aderem ao grito como o novo tapa. Imagine uma situação corriqueira: a mãe pede repetidas vezes à criança que pare de mexer em algo, e ela não obedece; o volume da voz aumentando conforme a paciência se esgota. O resultado? O grito.

 

O problema é o resultado desse tipo de comportamento, como demonstra um estudo feito pela Universidade Estadual da Flórida (EUA) e publicado no “Journal of Affective Disorders”, que entrevistou mais de 5,5 mil pessoas entre 15 e 54 anos. Segundo a pesquisa, pessoas que são alvos de ofensas verbais são quase uma vez e meia mais propensas a sintomas de depressão do que outros indivíduos e ficam duas vezes mais suscetíveis a transtornos de humor e ansiedade durante toda a vida.

 

Ofensas na infância

 

O dado surpreendente do estudo foi o número alto de participantes que afirmou que os pais usavam ofensas verbais constantemente (cerca de 30% dos casos), como insultos, ameaças físicas e comentários negativos. “É preciso que os pais sejam avisados do efeito em longo prazo desse tipo de comportamento para que não ofendam verbalmente seus filhos”, disse Natalie Sachs-Ericsson, que dirigiu o estudo.

 

Com o tempo, as crianças podem realmente acreditar nos comentários negativos a seu respeito e usá-los para explicar tudo que ocorre de errado na vida. Tirar notas baixas, não ser convidado para o time de futebol da escola ou ficar de fora de uma festa de aniversário seriam motivos para a criança pensar que não é boa o suficiente. Esse padrão de autocrítica pode acompanhá-la até a idade adulta e contribuir para o desenvolvimento de ansiedade e depressão.

 

A consultora de etiqueta e comportamento Célia Leão, de São Paulo, sugere trocar o uso do verbo ser pelo estar. Ou seja, no lugar de “Você é muito preguiçoso”, os pais podem usar “Hoje você está muito preguiçoso”. E evitar, é claro, frases que diminuem a autoestima, como “Você nunca consegue fazer isso sozinho”.

 

Outra dica da consultora é ser o espelho para as crianças. Como a aprendizagem se dá pela imitação de modelos, pais gentis e com boas maneiras são exemplos a serem seguidos pelos filhos.
 

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