O que dizem os especialistas sobre abster-se de sexo

Colaboração para o UOL

Preconceito. De acordo com o terapeuta sexual Amaury Mendes Júnior, de São Paulo, o sentir-se diferente ou isolado (a) pelo grupo pelo fato de não compartilhar da mesma conduta que os demais pode precipitar o sexo por sexo. “O comportamento de massa torna o grupo forte e os demais diferentes, e sentir-se diferente não é desejado por nenhum adolescente”, diz. Assim, é preciso força de vontade e disposição para encarar o preconceito alheio.

 

Convicção. Várias podem ser as causas para o início tardio da experiência sexual: família repressora, religiosidade, criação infantilizada, dificuldade de formar vínculos, baixa autoestima. Procurar descobrir o que move, de fato, a vontade de se manter virgem ou casto ajuda a ter convicções mais verdadeiras. A sexóloga Valéria Walfrido, de Recife, alerta para o fato de que em nosso cérebro há conexões responsáveis pelo desejo sexual. “Muitas pessoas que praticam a castidade consentida podem padecer de anafrodisia, uma disfunção que consiste na anulação parcial ou total do desejo sexual libidinoso. É importante refletir sobre a atitude tomada e que poderá mudar ao sentir necessidade, com uma orientação profissional, sem necessidade de lidar com questionamentos alheios”, explica.

 

Sublimação. Amaury Mendes Júnior alerta que ninguém é obrigado a gostar de sexo. “Algumas pessoas sublimam a sexualidade. Se for por opção própria, é muito provável que seja possível a felicidade psicossocial, desde que o desejo orgânico seja sublimado”, destaca. “Quando a pessoa desvia a energia sexual para outros campos da vida, consegue lidar com a ausência de sexo”, diz a sexóloga Valéria Walfrido. “Porém, abdicar do sexo é uma coisa e aversão ao sexo é outra. Quando a aversão vem associada a outros distúrbios caracteriza-se disfunção sexual, podendo ser de ordem psiquiátrica”, completa.

 

Crenças. “Quando misticismo, crenças, informações errôneas e religiosidade equivocada, entre outras razões, influem na saudável vida afetiva erótica e sexual, reparamos na clínica de terapia sexual que a conduta, muitas vezes histérica, de tais pessoas conduz ao isolamento introspectivo. São pessoas com dificuldades até mesmo com relação à vida, pois falta coragem para enfrentar um relacionamento com todas as boas ou más consequências possíveis”, alerta Amaury. “Quando o indivíduo abre mão de seu potencial erótico em prol de um manto da santidade, anula toda uma possibilidade de trocas e relacionamentos buscando uma purificação, esquecendo-se de que a atratividade pelo semelhante é um estímulo fisiológico e nato em todos.” (FERNANDA JUNQUEIRA)


 

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