Bissexualidade ganha visibilidade

WILSON DELL'ISOLA
Colaboração para o UOL


Sharon Stone estava numa festa em Hollywood quando sumiu ao lado de uma mulher linda. As duas só voltaram tempo depois. Mas a atriz também gosta de se relacionar com homens, e inclusive é a sua secretária que se encarrega de marcar os seus encontros amorosos. Outra estrela internacional, Jodie Foster, teve seu desejo por mulheres revelado num livro escrito pelo irmão. Em entrevistas, declarou: ''Tive uma ótima educação, que nunca me fez diferenciar homens e mulheres.'' Desde que Madonna e Britney Spears se beijaram na boca no Video Music Awards, em 2003, causando um grande frisson, não param de pipocar selinhos e afins entre celebridades nos programas TV e nas revistas aceitos com muito mais naturalidade.

 

Cada vez mais, a orientação sexual tem ganhado significância no contexto social moderno. As pessoas se preocupam bastante com o que os outros fazem, como fazem e com quem fazem – e essa curiosidade cresce no mesmo grau da aceitação pelas diferenças. A liberdade sexual dá passos largos para deixar de ser tabu, seja por celebridades que assumem sua real orientação, seja pela prática sem culpas. Nesse quadro estão englobados os bissexuais, que se sentem atraídos por pessoas de ambos os sexos, normalmente com níveis variantes de interesse por cada um - uma espécie de meio-termo entre o hetero e o homossexual. O fato é que no meio dessa revolução, a bissexualidade ganhou espaço, e claro, adeptos.

 

Mas, antes de sair por aí comentando sobre o assunto, saiba que é errado falar bissexualismo, pois "ismo" remete à doença, e a homossexualidade e seus derivados não são consideradas doenças de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

 

De acordo com a psicóloga Thays Babo, em seu livro “Bissexualidade: Invisibilidade e Existência”, é possível desejar da mesma forma o mesmo sexo e o oposto, independente de partir para a ação ou deixar essa vontade só no campo da imaginação. Ainda segundo a autora, essa atração pode ser simultânea, alternada ou ainda em diferentes períodos da vida – e que muita gente se enquadra na categoria bi, apesar de nunca ter dado um selinho sequer.

 

É o caso de um empresário paulista, de 42 anos, que prefere não se identificar. Depois de ser casado por 15 anos e ter dois filhos, ele passou também a apreciar homens: “Sempre tive desejos, mas nunca nem pensei em colocá-los em prática, até porque tinha um sentimento de culpa por sentir isso. Depois que me separei da minha mulher, sem a obrigação de prestar contas a ninguém, experimentei. E mesmo gostando mais de mulheres, de vez em quando saio com homens.”



 

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