Congado divide passarela com jovens estilistas no Amni Hot Spot

Carolina Vasone
UOL Moda, de Belo Horizonte

  • Fernanda Calfat

    Modelo veste criação de J.Pig no Hot Spot

    Modelo veste criação de J.Pig no Hot Spot

As luzes se apagam. Em vez de criações de jovens estilistas, uma procissão de senhoras vestidas de calça marinho com franjinhas brancas, camisa branca com detalhes militares em dourado, desfila pela passarela em direção aos fotógrafos, numa dancinha coreograda. Era o Congado abrindo o Amni Hot Spot na última quinta-feira (14).

A mistura de moda com manifestações populares aconteceu na passarela mesmo e faz parte do evento "Pop Sacro", com a apresentação de grupos religiosos como a Guarda do Congo Feminina, de Belo Horizonte. Depois dos desfiles das marcas Wilson Ranieri, Jonas Fujit e Ïf, na própria quinta, foi a vez dos homens, com o Cortejo Caminho de todos os Santos, tomarem conta do espaço dos desfiles.

Com início por volta das 21h (com uma hora e meia de atraso), as apresentações aconteceram numa tenda branca montada na Praça da Estação (no centro da cidade), uma em seguida da outra, numa mesma passarela, sem grandes modificações no cenário. O clima do Hot Spot foi beneficiado pela bela paisagem de fora, com o prédio onde funcionava a estação de trem (agora de metrô) com iluminação amarelada.

A platéia estava participativa. Aplaudia as introduções dos desfiles, feitas com percussão ao vivo por um artista local. Depois da apresentação de Wilson Ranieri, com muito moulage (quando a roupa é construída no corpo do manequim) e pelicas douradas dando glamour a saias, golas e vestidos, gritinhos e novos aplausos para o primeiro modelo entrando na passarela de Jonas Fujita, com coleção inteira masculina que mesclava referências rock e country.

Na Ïf, uma participação especial: Dudu Tsuda, tecladista da banda Jumbo Elektro, fez performance, com seus longos cabelos negros, sua origem oriental, ao lado de uma bela cantora. Os dois dublavam músicas, às vezes cantavam de verdade.

Cecília Echenique pendurou três panos brancos em forma de cilindro no teto, com iluminação por dentro, e desfilou seu inverno com inspiração oriental.

A Depeyre misturou influências do rock, do college e do militarismo, com muito jeans justo, como sempre, e a participação aplaudida do stylist Dudu Bertholini, criador da marca Neon (do Fashion Week). Magro e alto, Bertholini fez as vezes de modelo para a dupla de estilistas que são seus amigos.

Adriano Costa apostou nas camisetas e desfilou apenas elas, com estampas, aplicações e versões diferentes, no masculino e feminino.

Para terminar, J.Pig fez desfile aplaudidíssimo, inspirado na fé, com muita cor, aplicações, volumes diferentes e estampas de Fábio Gurjão.

Durante o dia, relativa tranquilidade em terras mineiras. Enquanto modelos, maquiadores e estilistas preparavam os desfiles no meio da tarde, uma mesa-redonda discutia a relação do poeta Carlos Drummond de Andrade com a moda. Participaram da conversa o estilista Ronaldo Fraga, o escritor e jornalista Humberto Werneck e o neto de Drummond, Pedro Drummond.

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