Amapô pinta de preto os modelos e faz versão colorida e "sombreada" de sua coleção

Carolina Vasone
UOL Moda, de Belo Horizonte

  • Fernanda Calfat

    Desfile de Amapô no Amni Hot Spot

    Desfile de Amapô no Amni Hot Spot

O desfile começou. A primeira modelo entra na passarela. Atrás dela, uma outra modelo, inteira pintada de preto, com uma versão idêntica mas escura de sua roupa, a persegue, como se fora sua sombra. Em seguida, o que se vê é o efeito do colorido e da falta de cor em todos os modelos do inverno da grife Amapô, que fez apresentação surpreendente na última sexta (15), no Amni Hot Spot, em Belo Horizonte (MG).

As roupas são super coloridas. Aí, então, o efeito das "sombras" perseguindo a "luz" de cada look com laranjas, amarelos e verdes, fica ainda mais chocante. E tudo vai seguindo, dos bordados aos sapatos, com sua versão negra, sem vida, em seu encalço.

As estampas, que começam mais gráficas, vão ganhando cada vez mais influência africana, em saias rodadas e compridas, vestidos soltos, outros mais sequinhos.

Estreante no evento, a dupla de criadoras, formada por Carolina Gold e Luciana Taliani, adora estampas e cores fortes. Faz mais sentido, portanto, a idéia da versão "sombra" da coleção.

Num texto publicado para a imprensa, elas citam o artista plástico inglês David Batchelor (um dos artistas da última Bienal Internacional de São Paulo, também professor da Royal College of Arte, em Londres), numa passagem interessantíssima:

"Ser chamado de `colorido` é ser lisonjeado e insultado ao mesmo tempo. Ser colorido é ser distinto e igualmente rejeitado. O principal consolo: a falta de cor da cultura da qual os coloridos são isentos; o espectro cinza daqueles para os quais a cor é uma marca de isenção. No mundo a cor parece sempre englobar os coloridos. Eles queimam com muito brilho e depois morrem. Os coloridos iluminam seus envoltos mas se consomem no processo."

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