"O Diabo Veste Prada" é bom programa para quem quer se divertir com a moda

CAROLINA VASONE
UOL Estilo

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    Cena do filme 'O Diabo Veste Prada', que entra em cartaz neste final de semana

    Cena do filme 'O Diabo Veste Prada', que entra em cartaz neste final de semana

"O Diabo Veste Prada" não é um filme para ser levado a sério. Assim como muitas das extravagâncias da moda, exatamente as usadas como argumento pelos que afirmam, estufando o peito de orgulho e indignação, de que tudo isso de usar a roupa como mais do que um pano para cobrir as vergonhas é uma grande bobagem.

Quem consegue perceber isso, provavelmente vai achar o filme divertido. Longe de se pretender um novo "Prêt-à-Porter", de Robert Altman, a versão cinematográfica para o livro best-seller em que a autora, Lauren Weisberger, conta o inferno vivido quando foi assistente da poderosíssima editora da Vogue América, Anna Wintour, parece partir do pressuposto de que as pessoas já sabem que não, não é para sair na rua com o mesmo look montado especialmente para chamar a atenção na passarela. E que, portanto, não é preciso se preocupar tanto com os mandamentos de um poderoso e vaidoso segmento. Apenas filtrar e aproveitar o que há de melhor e mais interessante nele.

A partir daí, dá para achar muita graça nos desmandos tirânicos de Miranda - a chiquérrima e implacável diretora da revista "Runway" -, interpretada por Meryl Streep. Porque afinal, as atitudes de uma pessoa assim, em princípio, só podem ser levadas em conta como uma boa piada.

Também é difícil não se encantar com o curioso e glamouroso universo das roupas belíssimas, ousadas, bem-acabadas, que carregam a alma da tendência que depois será copiada e usada por muita gente de maneira diluída e (muitas vezes) deformada no mundo todo.

Ao mesmo tempo em que passa pelo universo da moda sem, assim, dar bola para seus perigos, o filme faz questão de mostrar como é fácil sucumbir às tentações de uma vida cheia de beleza e estilo exagerados. O ótimo figurino de Patricia Field, inclusive, serve para reforçar esta idéia. De moça despenteada e desprovida de "senso de estilo" (como diz a Miranda de Meryl Streep logo no começo do filme), Andy (Anne Hathaway) -que no começo sentia orgulho em não dar a mínima para o que vestia - vira uma vítima da moda num piscar de olhos. Ou numa calçada de sapatos Jimmy Choo. Seus looks - muitos Chanel - parecem ter saído não de um guarda-roupa de um fashionista mas de um editorial de moda. No final, com um único look, Patricia Field mostra como Andy toma gosto pela moda mas consegue não se tornar escrava dela, usando-a em benefício da expressão de seu próprio estilo.

Numa ótima cena de Miranda (Meryl Streep) com Andy (Anne Hathaway), ainda há espaço para uma alfinetada didática da influência da moda na vida das pessoas, quando a editora discorre sobre a origem do azul "cerúleo" da malha de lã de Andy, provando que, a despeito do desprezo da assistente pelas "tendências", essas tendências, mesmo que de maneira atrasada, ditavam o que ela vestia (o cerúleo virou uma cor "febre", copiada por todas as lojas populares, a partir de uma coleção Yves Saint Laurent). É para achar isso a coisa mais importante do mundo? Não. Mas tem o seu papel.

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