"Moda é um antídoto para a realidade", dizem estilistas da Viktor&Rolf, depois de desfile

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

  • Reuters

    Look do desfile de Viktor&Rolf hoje (02) em Paris

    Look do desfile de Viktor&Rolf hoje (02) em Paris

Seis lustres de cristal e um globo de discoteca pendurados no teto enfeitam a sala dentro do Carrossel do Louvre, sede oficial da Semana de Moda de Paris. Com uma orquestra e o cantor americano Rufus Wainwright em cena, o desfile Primavera/Verão 2007 de Viktor&Rolf começa, com ares de "festa baile" retrô.

A primeira fila transformada em mesinhas de show, com garrafa de champanhe no balde de gelo, também faz divertida referência aos tempos do entretenimento jovem e formal, com bandas ao vivo e dança de par, ou a chamada dança de salão, forte referência da dupla para criar a coleção.

A atmosfera brinca com a idéia da imagem "fora de moda" do que já foi moda no passado. A coleção faz o mesmo e traz a ironia brincalhona das "verdades" da elegância de outrora, o romantismo dos vestidos e ternos de antigamente. Mas conta, é claro, com a forte personalidade, com um preciso e leve toque de agressividade do design contemporâneo dos dois talentosos estilistas holandeses. "Queríamos esta atmosfera de sonho. No nosso mundo, tudo é possível", dizia a dupla em entrevista à imprensa, depois do desfile.

A parte onírica também fica por conta de outra inspiração dos estilistas para a coleção: a mágica. Mais precisamente, um personagem deste universo, o mágico americano de origem húngara Houdini, famoso no ínicio do século 20.

Nas roupas, as referências podem ser vistas em detalhes como as estrelas vazadas, com brilho prateado, recortadas na calça do terno preto com a casaca de mágico de barra pontuda, ou na casaca ajustada, acompanhada do jeans manchado do look feminino, ambos da série de ternos estilizados, divertidos, também glamourosos, como o inteiro feito das franjas dos vestidos de charleston dos anos 20.

As franjas apareceram em vários looks, assim como as casacas, que passaram do conjunto com a calça para as partes de cima de vestidos, com modelagem do top ajustadíssima e saia godê com fundo de tule volumoso aparente. Os tops continuavam ajustados tambem nas segundas peles enfeitadas de brilhos e estrelas, quase confundindo roupa com corpo.

Enquanto as mulheres reinavam absolutas, os homens as acompanhavam mais discretos, de óculos de grau de acetato preto, gravata, camisa, calças ajustadas, num misto nerd e dândi, com leve toque transgressor do rock. A hora da cena ser totalmente masculina, no entanto, ainda chegaria, no final do desfile, com um baile de seis pares, formados só por homens. "No nosso mundo tudo é possível", repetiam os designers para os jornalistas, reafirmando a idéia que ficou clara na passarela; a de que a harmonia e a beleza também estão presentes em arranjos inicialmente não convencionais. "Moda é o antídoto para a realidade", completavam, citando o nome do novo perfume masculino, que tambémm apareceu numa projeção, ao final da apresentação.

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