Yamamoto lota sala da Sorbonne e deixa convidados para fora do desfile

CAROLINA VASONE
Enviada especial a Paris

  • AFP

    Desfile de Yohji Yamamoto<br>ontem (02) em Paris

    Desfile de Yohji Yamamoto
    ontem (02) em Paris

Por mais modesto que seja um desfile da Semana de Moda de Paris, há sempre pelo menos meia dúzia de "excluídos fashion" na porta da sala de desfiles, com esperanças de conseguir uma vaguinha ao sol daqueles que enxergam, com a nitidez da luz de uma boa tarde de verão, as coleções da próxima estação. Se o burburinho já existe nestes casos, imagine no de algum estilista de projeção e fama mundiais.

Conhecido pelo estilo "low profile" típico dos designers japoneses, Yohji Yamamoto é, de fato, um grande nome mundial. Mas é um estilista de trabalho difícil, sem a popularidade de grifes como Chanel ou Louis Vuitton. Por isso, a surpresa ao chegar à porta da Universidade Sorbonne, onde o desfile aconteceu, fechando o segundo dia da temporada parisiense, na última segunda (2). Um aglomerado de cerca de uma centena de pessoas se espremia, invadindo a rua, sob a incômoda chuva, orquestrado pelos gritos de uma assessora da marca que repetia: "sinto muito, só com convite".

Imediatamente, envelopes plastificados em vermelho translúcido rasgados, o passaporte da felicidade - em preto - ganhava o céu nas mãos levantadas dos afortunados que, em silêncio, abriam caminho discretamente, às vezes com uma empurrada mais incisiva, como quem está aflito para entrar mas não quer parecer desesperado por isso. De repente, um grito estridente de uma conterrânea de Yamamoto. A pobre achava que, como num show de rock, seria esmagada na grade da entrada para o desfile. Não era para tanto.

Mas dentro da sala de desfiles, uma autoridade da prefeitura de Paris achava que sim, algum tipo de tragédia envolvendo roupas e um número muito grande de pessoas que gostam delas, num espaço pequeno, poderia acontecer. E de nada adiantaram o escândalo - com direito a gritinhos nipônicos, desses de desenho animado japonês - e a tentativa de agressão - sim, ela era pequena, mas chegou a dar tapinhas nos seguranças - da assessora de Yamamoto, quando percebeu que uma convidada ilustríssima havia ficado para fora. A lei francessa foi implacável e a senhora ficou permaneceu do lado de fora, assim como muitos dos donos de convites de hirarquia menor, os chamados "standing". Acabaram em pé, um pouco molhados, mas sem protestos. Afinal, até ser barrado na semana de moda de Paris pode ter sua graça e glamour.

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